O Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP) manifesta seu reconhecimento e apoio aos resultados recentemente apresentados sobre a implementação em larga escala do programa ACT Raising Safe Kids no Brasil, iniciativa da American Psychological Association voltada à promoção da parentalidade positiva e à prevenção da violência contra crianças.

O IVEPESP acompanha e apoia este projeto desde suas primeiras iniciativas no país, entendendo que ele representa um dos exemplos mais relevantes de como formação profissional qualificada, metodologias estruturadas e uso inteligente de tecnologias educacionais podem ampliar significativamente o alcance e a efetividade de políticas públicas de proteção à infância.

O estudo realizado com 176 profissionais de 24 cidades brasileiras demonstrou resultados extremamente consistentes. A formação teórica online dos facilitadores produziu aumento significativo do conhecimento sobre:

  • desenvolvimento infantil;
  • parentalidade positiva;
  • prevenção da violência;
  • condução de grupos familiares;
  • estratégias de intervenção educativa.

Os resultados também evidenciaram elevados níveis de fidelidade na implementação prática do programa, com média correspondente a aproximadamente 80% do escore máximo possível nas avaliações observacionais externas realizadas a partir de gravações das sessões conduzidas pelos facilitadores.

O IVEPESP destaca ainda que o treinamento brasileiro do programa vem sendo conduzido pelas professoras Elisa Rachel Pisani Altafim e Maria Beatriz Martins Linhares, ambas integrantes do IVEPESP e pesquisadoras vinculadas à University of São Paulo, cuja atuação acadêmica e científica tem sido fundamental para a consolidação e expansão desta iniciativa no Brasil.

A importância deste treinamento transcende a simples capacitação técnica de profissionais. Trata-se de uma iniciativa estratégica de prevenção social baseada em evidências científicas, voltada à promoção de ambientes familiares mais seguros, saudáveis e emocionalmente equilibrados para crianças e adolescentes.

Diversos estudos internacionais demonstram que experiências adversas na infância, violência doméstica, negligência e práticas parentais inadequadas possuem impactos profundos e duradouros sobre:

  • saúde mental;
  • desempenho escolar;
  • desenvolvimento cognitivo;
  • comportamento social;
  • risco de violência futura;
  • uso de drogas;
  • evasão escolar;
  • produtividade econômica ao longo da vida.

Nesse contexto, programas estruturados de parentalidade positiva como o ACT Raising Safe Kids tornam-se instrumentos extremamente relevantes de prevenção primária, atuando antes que situações de violência, abuso ou sofrimento infantil se agravem.

Além disso, o treinamento qualificado de profissionais da saúde, educação, assistência social e proteção à infância fortalece diretamente a capacidade do poder público de implementar políticas preventivas mais eficientes e humanizadas.

Em um país marcado por profundas desigualdades sociais e elevados índices de violência contra crianças e adolescentes, iniciativas desta natureza possuem impacto potencial não apenas educacional e familiar, mas também econômico e civilizatório.

Tais dados possuem enorme relevância para o debate contemporâneo sobre educação continuada, formação profissional e escalabilidade de políticas públicas baseadas em evidências.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, iniciativas capazes de combinar:

  • formação online de qualidade;
  • supervisão estruturada;
  • acompanhamento baseado em evidências;
  • avaliação de fidelidade;
  • implementação presencial supervisionada;

representam modelos estratégicos para expansão de programas sociais, educacionais e de saúde pública.

O estudo também trouxe elementos importantes sobre os fatores associados ao maior engajamento e sucesso na certificação dos profissionais, destacando:

  • experiência prévia com grupos e famílias;
  • tempo de atuação profissional;
  • perfil de engajamento dos participantes;
  • continuidade na formação prática supervisionada.

Para o IVEPESP, os resultados reforçam uma discussão central que o Instituto vem defendendo há anos: a tecnologia educacional, quando associada a desenho pedagógico robusto, supervisão qualificada e avaliação contínua, pode ampliar significativamente a capacidade do Estado de formar profissionais em larga escala sem perda de qualidade.

A experiência brasileira do ACT demonstra que modelos híbridos e digitalmente apoiados podem alcançar regiões geograficamente diversas mantendo elevado padrão de implementação — algo particularmente relevante para áreas como:

  • formação docente;
  • assistência social;
  • saúde pública;
  • proteção à infância;
  • programas preventivos comunitários.

Além disso, o projeto evidencia um tema cada vez mais estratégico no cenário internacional: a necessidade de sistemas permanentes de monitoramento de qualidade e fidelidade em programas implementados em larga escala.

Em um contexto no qual Inteligência Artificial, análise de dados e sistemas digitais começam a transformar profundamente os modelos de formação profissional, experiências como esta apontam caminhos concretos para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes, escaláveis e baseadas em evidências.

O IVEPESP considera particularmente relevante que o modelo desenvolvido no Brasil possa servir como referência internacional para outros países, demonstrando a capacidade brasileira de produzir inovação metodológica em formação profissional e implementação de programas sociais complexos.

O fortalecimento de iniciativas desta natureza é fundamental para a construção de uma sociedade mais segura, mais humana e mais preparada para enfrentar os desafios contemporâneos relacionados à infância, à educação e à prevenção da violência.

Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
[email protected]