No dia 8 de outubro de 2026, participei, na condição de membro do Conselho Consultivo do UniSENAI, de uma reunião realizada no SENAI-SP Distrito Tecnológico, em São Bernardo do Campo, dedicada à discussão de um tema estratégico para o Brasil: a articulação entre formação superior, demandas do setor produtivo e competitividade da indústria como fatores do desenvolvimento econômico.
A programação contou com a abertura institucional do Prof. Ricardo Terra, Diretor Regional do SENAI-SP, e do Prof. Luiz Curi, Reitor do UniSENAI-SP. Na sequência, Marcello de Souza e Fabricio Lopes , Gerentes do Senai , abordaram os desafios da formação superior diante das novas exigências industriais.
Após as contribuições dos membros do Conselho Consultivo, tivemos a oportunidade de conhecer instalações do Distrito Tecnológico, incluindo uma demonstração de tecnologias robóticas, registrada em vídeo.
A experiência permitiu refletir sobre o papel da educação superior, da pesquisa aplicada e da inovação tecnológica na construção de uma indústria brasileira mais competitiva.
Assista ao vídeo da demonstração
Robótica e Inteligência Artificial no SENAI-SP — O Futuro da Indústria Brasileira
Registro audiovisual realizado durante a visita às instalações do Distrito Tecnológico, em 8 de outubro de 2026.
Vídeo disponível no YouTube:
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A gravação apresenta a demonstração de robôs humanoides e quadrúpedes, oferecendo uma oportunidade de conhecer essas tecnologias e refletir sobre suas aplicações e implicações para a formação profissional.
1. A robótica como expressão da transformação tecnológica
A demonstração envolvendo robôs humanoides e quadrúpedes permite observar uma das vertentes mais visíveis da evolução contemporânea da automação.
A robótica avançada reúne conhecimentos de mecânica, eletrônica, sensores, programação, sistemas de controle e, em diversas aplicações, inteligência artificial.
Essas tecnologias vêm ampliando as possibilidades de utilização de máquinas em atividades que exigem mobilidade, percepção do ambiente, execução coordenada de movimentos e interação com diferentes sistemas.
Entre as aplicações potenciais encontram-se a inspeção industrial, a manutenção, a logística, o monitoramento de ambientes de risco, a pesquisa tecnológica e a experimentação educacional.
Entretanto, a passagem de demonstrações tecnológicas para aplicações industriais economicamente viáveis exige avaliações rigorosas sobre confiabilidade, segurança, autonomia, manutenção, custos e ganhos efetivos de produtividade.
O desenvolvimento tecnológico deve ser acompanhado de uma análise de suas possibilidades, limitações e consequências sociais.
2. Formação superior articulada às demandas da indústria
Um dos aspectos centrais da reunião do Conselho Consultivo foi a necessidade de aproximar a formação superior das competências exigidas pelas transformações industriais.
A incorporação de sistemas robóticos e de inteligência artificial requer profissionais com conhecimentos sólidos em matemática, física, engenharia, computação e ciência de dados.
Exige, igualmente, capacidades de integração tecnológica, resolução de problemas complexos, trabalho multidisciplinar e aprendizagem contínua.
Não basta formar profissionais para operar equipamentos. Precisamos formar pessoas capazes de compreender, desenvolver, programar, adaptar e aperfeiçoar tecnologias.
Nesse contexto, instituições como o UniSENAI-SP podem contribuir para a aproximação entre formação acadêmica, pesquisa aplicada e problemas concretos das empresas.
A educação superior precisa combinar fundamentos científicos consistentes com oportunidades de experimentação, projetos interdisciplinares e interação permanente com o setor produtivo.
3. O desafio brasileiro: consumir ou desenvolver tecnologias?
A experiência observada no SENAI-SP conduz a uma pergunta fundamental:
O Brasil será predominantemente consumidor das tecnologias robóticas desenvolvidas no exterior ou conseguirá participar de sua concepção, desenvolvimento e produção?
A modernização industrial brasileira depende do acesso às tecnologias internacionalmente disponíveis, mas não pode se limitar à aquisição de equipamentos sofisticados.
É necessário desenvolver competências nacionais em engenharia, software, sistemas de controle, sensores, integração tecnológica e pesquisa aplicada.
O país dispõe de universidades, institutos de pesquisa, instituições de educação tecnológica e empresas capazes de contribuir para esse processo.
O desafio consiste em fortalecer sua articulação e transformar conhecimento científico em inovação, produtividade, competitividade e oportunidades de trabalho qualificado.
A formação de capital humano e o desenvolvimento de capacidades tecnológicas nacionais devem constituir prioridades complementares de uma estratégia de desenvolvimento industrial.
4. Proposta ao Conselho Consultivo: Programa de Integração Universidade–Indústria em Robótica e Inteligência Artificial
A partir das reflexões proporcionadas pela reunião, considero oportuno apresentar, para discussão no âmbito do Conselho Consultivo, a proposta de criação de um:
Programa UniSENAI de Integração Universidade–Indústria em Robótica e Inteligência Artificial.
A iniciativa poderia reunir o UniSENAI-SP, universidades públicas e privadas, institutos de pesquisa, empresas industriais, startups e instituições de apoio à inovação.
Seu propósito seria aproximar a formação superior da pesquisa aplicada e das necessidades tecnológicas concretas da indústria brasileira.
O programa poderia ser organizado em cinco eixos estratégicos.
Eixo 1 — Formação e capacitação tecnológica
Desenvolvimento de cursos, módulos, projetos interdisciplinares e programas de atualização profissional em robótica, automação inteligente, ciência de dados e inteligência artificial aplicada à indústria.
Eixo 2 — Laboratórios e infraestrutura compartilhada
Estabelecimento de mecanismos de cooperação para utilização de laboratórios, equipamentos e ambientes de experimentação, ampliando oportunidades de formação, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.
Eixo 3 — Projetos de pesquisa aplicada e inovação
Identificação de problemas tecnológicos apresentados por empresas e desenvolvimento de soluções em parceria com pesquisadores, professores, estudantes e profissionais do setor produtivo.
Eixo 4 — Desenvolvimento de competências tecnológicas nacionais
Estímulo à criação, adaptação e aperfeiçoamento de soluções brasileiras em sistemas robóticos, sensores, controle inteligente, software industrial e integração de tecnologias.
Eixo 5 — Avaliação de resultados e impactos
Definição de indicadores para acompanhar a formação de profissionais, os projetos desenvolvidos, a transferência de tecnologia, os ganhos de produtividade e os resultados econômicos e sociais das iniciativas.
Implementação por meio de projeto-piloto
Como etapa inicial, sugere-se a estruturação de um projeto-piloto envolvendo um conjunto de empresas e instituições acadêmicas, com desafios industriais claramente identificados.
A infraestrutura existente no Distrito Tecnológico e nas instituições parceiras poderia constituir uma base importante para essa iniciativa.
O projeto deveria estabelecer objetivos mensuráveis, responsabilidades institucionais, cronograma e critérios de avaliação, permitindo examinar sua viabilidade e eventual ampliação.
A proposta não pressupõe a criação imediata de uma nova estrutura administrativa, mas a organização de uma rede cooperativa capaz de articular competências já existentes.
Trata-se de uma contribuição à agenda de discussão do Conselho Consultivo, cuja implementação dependeria de avaliação e deliberação pelas instâncias institucionais competentes.
5. Uma agenda estratégica para o Brasil
As transformações tecnológicas observadas reforçam a importância de uma agenda nacional que contemple:
- Educação: fortalecer a formação técnica e superior nas áreas de engenharia, computação, robótica e inteligência artificial.
- Ciência e pesquisa: ampliar a cooperação entre instituições acadêmicas e centros de desenvolvimento tecnológico.
- Inovação industrial: estimular a pesquisa aplicada e o desenvolvimento de soluções adequadas às necessidades das empresas brasileiras.
- Qualificação profissional: criar oportunidades permanentes de atualização e requalificação dos trabalhadores diante da automação.
- Avaliação de impactos: acompanhar os efeitos das novas tecnologias sobre produtividade, emprego, segurança, competitividade e desenvolvimento econômico.
Essas prioridades exigem uma atuação articulada do poder público, das instituições de ensino, das agências de financiamento e do setor empresarial.
Considerações finais
A participação na Reunião do Conselho Consultivo do UniSENAI-SP e a visita às instalações do Distrito Tecnológico reforçam a convicção de que a modernização da indústria brasileira depende de uma articulação consistente entre educação, ciência, tecnologia e inovação.
O vídeo registrado durante a visita ilustra essa transformação e oferece ao público a oportunidade de observar tecnologias que poderão desempenhar papel crescente em diferentes atividades produtivas.
Entretanto, o significado mais importante dessas demonstrações não está apenas na sofisticação das máquinas ou em sua capacidade de realizar movimentos complexos.
Está nas oportunidades de formação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação que elas representam.
A proposta de um programa de integração entre UniSENAI, universidades, institutos de pesquisa e empresas pretende contribuir para transformar essas oportunidades em iniciativas concretas de cooperação.
O futuro da indústria brasileira não dependerá apenas das tecnologias que formos capazes de adquirir, mas, sobretudo, do conhecimento que conseguirmos produzir, das soluções que soubermos desenvolver e dos profissionais que formos capazes de formar.
Registro audiovisual da visita ao SENAI-SP Distrito Tecnológico — 8 de outubro de 2026
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Prof. Dr. Hélio Dias
Presidente do IVEPESP
Membro do Conselho Consultivo do UniSENAI-SP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo — IVEPESP
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