O Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP) acompanha com atenção a iniciativa da Universidade do Minho, que anunciou a criação de cinco programas de dupla graduação integrada no concurso nacional de acesso 2026/27 — modelo inovador no ensino superior público português.

No sistema português, tais formações são denominadas “licenciaturas”, termo que corresponde ao primeiro ciclo do ensino superior (equivalente ao bacharelado brasileiro), não se confundindo com a formação de professores, como ocorre na terminologia adotada no Brasil.

As formações anunciadas contemplam:

  • Matemática + Física
  • Física + Química
  • Economia + Gestão
  • Economia + Negócios Internacionais
  • Gestão + Negócios Internacionais

Ao final do percurso, o estudante obtém dois diplomas formais de graduação, com planos de estudo integrados, compatibilização de horários, eliminação de redundâncias curriculares e possibilidade de mobilidade internacional.


1. Significado Acadêmico e Estratégico

A iniciativa portuguesa dialoga com modelos internacionais consolidados (double major / joint degrees), reforçando:

  • Interdisciplinaridade estruturada
  • Formação quantitativa robusta
  • Eficiência curricular
  • Competitividade internacional
  • Preparação para mercados complexos e globalizados

No caso das formações científicas (Matemática+Física e Física+Química), observa-se o fortalecimento de perfis altamente qualificados para:

  • Inteligência Artificial
  • Modelagem computacional
  • Engenharia avançada
  • Pesquisa em energia, materiais e tecnologias estratégicas

Já as formações em Economia, Gestão e Negócios Internacionais respondem à crescente complexidade do comércio global, da governança corporativa e das estratégias de internacionalização.


2. Pertinência para o Brasil

O IVEPESP entende que a adoção de programas de dupla graduação integrada é altamente pertinente ao contexto brasileiro, especialmente diante de desafios estruturais como:

  • Fragmentação curricular excessiva
  • Baixa integração entre teoria e aplicação
  • Déficit de interdisciplinaridade real
  • Produtividade científica e tecnológica aquém do potencial nacional
  • Necessidade de maior inserção internacional

A implementação estruturada desse modelo pode elevar a densidade formativa dos egressos, ampliar sua capacidade analítica e reduzir sobreposições desnecessárias de conteúdo.


3. Condições Necessárias para Implementação no Brasil

Para que tal modelo seja exitoso no país, seriam necessários:

  • Revisão e flexibilização das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs)
  • Maior autonomia universitária para desenho curricular
  • Modelos de avaliação institucional que reconheçam programas integrados
  • Planejamento financeiro adequado
  • Superação de estruturas excessivamente departamentalizadas

Sem integração pedagógica efetiva, o risco seria a simples agregação administrativa de dois cursos, sem ganho real de qualidade.


4. Espaços Potenciais para Projetos-Piloto

Experiências-piloto poderiam ser conduzidas em instituições com maturidade acadêmica consolidada, como:

  • Universidade de São Paulo
  • Universidade Estadual de Campinas
  • Universidade Estadual Paulista
  • Universidade Virtual do Estado de São Paulo

No caso da UNIVESP, inclusive, formatos híbridos ou digitais poderiam potencializar combinações como:

  • Matemática + Ciência de Dados
  • Gestão Pública + Negócios Internacionais
  • Física + Computação

5. Conexão com a Agenda Estratégica do IVEPESP

Esta proposta converge com posições anteriores do Instituto acerca de:

  • Elevação da produtividade acadêmica e tecnológica
  • Fortalecimento do ensino público de larga escala
  • Modernização curricular orientada por evidências internacionais
  • Integração entre formação científica, tecnologia e desenvolvimento econômico

O Brasil necessita avançar para modelos formativos mais integrados e internacionalizados, sob pena de aprofundar o descompasso entre formação superior e as exigências do século XXI.


6. Conclusão

O IVEPESP considera que a implementação estruturada de programas de dupla graduação integrada pode constituir instrumento relevante de política educacional, contribuindo para:

  • Maior qualidade formativa
  • Redução de redundâncias curriculares
  • Formação de perfis profissionais mais completos
  • Ampliação da competitividade acadêmica internacional

Trata-se de inovação que merece debate qualificado no âmbito do Ministério da Educação, dos Conselhos Universitários e das instâncias estratégicas de planejamento do ensino superior brasileiro.


Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
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