No próximo dia 25 de maio de 2026, terei a honra de participar da discussão pública “Importações para Pesquisa”, promovida no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), ao lado do Prof. Fernando Menezes, ex-Diretor Administrativo da FAPESP, e do Prof. Fernando Peregrino, Pró-Reitor de Gestão e Governança da UFRJ, com moderação de Nicolás Hoch.
O tema é absolutamente estratégico para o futuro da ciência brasileira.
O Brasil possui pesquisadores altamente qualificados, universidades de excelência e grupos científicos competitivos internacionalmente. Entretanto, ainda convivemos com um enorme gargalo estrutural: a excessiva burocracia e a lentidão nos processos de importação de insumos, equipamentos e materiais destinados à pesquisa científica.
Em diversas áreas — como química, biotecnologia, física, medicina, inteligência artificial, engenharia e ciências dos materiais — semanas ou meses de atraso na liberação de reagentes, peças, sensores, componentes eletrônicos ou amostras biológicas podem comprometer experimentos inteiros, atrasar teses, reduzir competitividade internacional e impactar diretamente a inovação nacional.
A situação torna-se ainda mais preocupante diante do cenário atual de financiamento científico. Em 2026, diversas cotas e recursos operacionais do CNPq já se encontram esgotados, comprometendo a continuidade de projetos de pesquisa, dificultando a manutenção de bolsas, atrasando cronogramas científicos e ampliando a insegurança de pesquisadores e laboratórios em todo o país. Em muitos casos, grupos de pesquisa conseguem aprovar projetos, mas enfrentam enormes dificuldades para manter sua execução diante da escassez de recursos e dos obstáculos administrativos para aquisição de insumos essenciais.
A experiência recente da UFRJ, que avançou na discussão sobre imunidade tributária e novos modelos operacionais para importações científicas, demonstra que existem caminhos concretos para reduzir custos, simplificar procedimentos e ampliar a eficiência do sistema sem abrir mão da segurança e do controle institucional.
Ao mesmo tempo, torna-se cada vez mais necessário discutir:
- mecanismos diferenciados para importações voltadas exclusivamente à pesquisa;
- redução de barreiras burocráticas para pesquisadores credenciados;
- maior integração entre universidades, agências de fomento e órgãos reguladores;
- fortalecimento da autonomia científica nacional;
- criação de ambientes mais favoráveis à inovação tecnológica;
- maior previsibilidade orçamentária para ciência, tecnologia e inovação.
Num mundo em que países disputam liderança em inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia, energia, novos materiais e defesa, a capacidade de importar rapidamente conhecimento incorporado em equipamentos e insumos científicos tornou-se parte essencial da soberania nacional.
A ciência contemporânea opera em rede, em tempo real e em escala global. Se o Brasil deseja ocupar posição relevante na economia do conhecimento, precisará construir um ambiente regulatório compatível com a velocidade da pesquisa moderna.
Será uma grande oportunidade para debater soluções concretas e contribuir para uma agenda estratégica de fortalecimento da ciência, da inovação e da competitividade brasileira.
Evento: Importações para Pesquisa
Data: 25 de Maio de 2026
Horário: 10h30
Local: Anfiteatro do IQ – Bloco 6 Superior – USP
Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
IVEPESP