O Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP) acompanha com atenção os recentes acontecimentos ocorridos na Universidade de São Paulo (USP) envolvendo a paralisação estudantil iniciada em 14 de abril de 2026, bem como os esclarecimentos públicos apresentados pela Reitoria da Universidade.
O IVEPESP agradece formalmente à Reitoria da USP pelas informações encaminhadas ao Instituto e pela transparência na apresentação das medidas adotadas. O Instituto reitera igualmente seu total apoio às ações implementadas pela Reitoria no sentido de preservar o diálogo institucional, garantir a continuidade das atividades acadêmicas, científicas e assistenciais da Universidade e buscar soluções equilibradas para as demandas apresentadas pela comunidade estudantil.
Desde a deflagração da paralisação estudantil, a Reitoria abriu um canal de diálogo com os estudantes para discutir a pauta de reivindicações apresentada. Foram realizados três encontros com a representação estudantil, totalizando mais de 20 horas de negociações, durante os quais foram debatidos e encaminhados os temas apresentados pelos alunos.
No que se refere ao Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (PAPFE), foi proposto o reajuste regular dos auxílios do programa com base no índice IPC-FIPE, considerando o intervalo de janeiro de 2022 a março de 2026. No início do período, a modalidade de auxílio existente era de R$ 750,00. Dessa forma, o valor mensal do auxílio passará de R$ 885,00 para R$ 912,00 na modalidade integral e de R$ 330,00 para R$ 340,00 na modalidade parcial com moradia.
É importante mencionar que esses auxílios já haviam sido atualizados anteriormente, sendo os valores aplicados em 2025 de R$ 850,00 na modalidade integral e de R$ 320,00 na modalidade parcial com moradia. Assim, o aumento real nos valores desses auxílios foi de R$ 62,00 (7,3%) e R$ 20,00 (6,3%), respectivamente, percentuais superiores ao índice IPC-FIPE acumulado nos últimos 12 meses, equivalente a 3,5%.
Cabe destacar que, no mês de abril, o programa atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sendo 15.489 estudantes de graduação e 2.108 estudantes de pós-graduação. Além disso, o orçamento aprovado para 2026 destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde dos estudantes da USP foi de R$ 461 milhões. Com os reajustes aplicados, o montante será ainda maior. Trata-se do maior programa de apoio à permanência estudantil do Estado de São Paulo.
Adicionalmente, o PAPFE, por se tratar de um auxílio, pode ser acumulado com bolsas vinculadas a projetos de apoio ao ensino, à pesquisa, à inovação, à cultura e extensão ou à inclusão e pertencimento. Está sendo criada uma nova modalidade no Programa Unificado de Bolsas da USP, voltada especificamente aos estudantes ingressantes nos cursos de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com o objetivo de ampliar sua inserção em atividades acadêmicas e contribuir para reduzir a evasão nos semestres iniciais dos cursos. Somando-se o auxílio PAPFE com a Bolsa PUB, os valores alcançam atualmente R$ 1.657,00 na modalidade integral e R$ 1.065,00 na modalidade parcial com moradia. Além disso, a Universidade mantém outros programas de bolsas para graduandos e pós-graduandos.
Em relação ao Hospital Universitário (HU), com a retomada das contratações na Universidade em 2022, das 400 vagas autorizadas para a USP, 120 foram destinadas ao hospital. Desde então, as vagas decorrentes de desligamentos vêm sendo repostas por meio de concursos públicos. O HU constitui importante e imprescindível campo de formação para os estudantes dos cursos da área da saúde da USP, e a Reitoria permanece empenhada na busca de alternativas que possibilitem a ampliação da capacidade operacional do hospital.
No que se refere aos espaços estudantis nos campi, está sendo constituído um grupo de trabalho composto por seis docentes, seis estudantes indicados pela representação estudantil e dois representantes da Procuradoria-Geral. O grupo terá como objetivo propor diretrizes para a regulamentação do uso dos espaços, trazendo segurança jurídica para a Universidade e, principalmente, para as entidades estudantis que ocupam tais espaços. O relatório deverá ser apresentado no prazo de até 120 dias após sua instalação formal.
A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) realizará, de acordo com a legislação vigente, o aditamento dos contratos dos restaurantes terceirizados para fornecimento de café da manhã com proteína, almoço e jantar de segunda a sexta-feira, bem como café da manhã e almoço aos sábados nos restaurantes sob sua gestão. Essa medida também será contemplada nos processos licitatórios destinados à contratação de novas empresas. Nos restaurantes administrados pelas prefeituras dos campi do interior, a PRIP acompanhará o processo para que o mesmo modelo seja implantado.
Também foram constituídos dois grupos de trabalho voltados às questões relacionadas aos restaurantes universitários: um dedicado aos campi do interior e outro aos restaurantes localizados na capital. Ambos serão compostos por docentes, servidores e estudantes, com o objetivo de discutir melhorias no funcionamento e na oferta dos serviços.
Além das discussões no âmbito da Câmara de Cursos e Ingresso (CCI) do Conselho de Graduação (CoG) da USP, serão criados dois grupos de trabalho destinados à elaboração de ações de permanência estudantil voltadas às populações trans e indígena.
No que se refere às cotas para pessoas com deficiência (PCD), foi divulgada, em 24 de abril, matéria informando a criação de um grupo de trabalho sobre o tema, estando em fase de criação um segundo grupo voltado especificamente à permanência estudantil.
Em relação às demandas pontuais envolvendo o Conjunto Residencial da USP (CRUSP), como manutenção predial, reformas de espaços, ampliação do acesso à internet, instalação de filtros de água em todos os andares dos blocos e ajustes no funcionamento dos elevadores, as solicitações já foram discutidas pela PRIP em reunião com a Associação de Moradores do CRUSP e a Coordenação de Vida no Campus, sendo encaminhadas para resolução pelas equipes técnicas responsáveis. Além disso, a PRIP já havia proposto, em março deste ano, a criação de um grupo para discutir o conjunto residencial de forma global, com prazo de 90 dias para apresentação de propostas.
No caso das demandas relacionadas à moradia estudantil na Área Capital Leste e nos campi do interior, temas que não estão sob competência direta da PRIP, a Reitoria comprometeu-se a promover, ainda neste semestre, reuniões com os prefeitos universitários dessas localidades.
A Reitoria considera que avanços importantes foram alcançados nas reuniões realizadas com a representação estudantil e reafirma seu compromisso com a implementação das propostas construídas conjuntamente com os estudantes. Trata-se de um esforço coletivo cuja efetivação depende igualmente do comprometimento e da participação da comunidade estudantil.
O IVEPESP entende que universidades públicas da dimensão e relevância da USP devem preservar permanentemente o diálogo institucional, a racionalidade administrativa, a transparência na aplicação de recursos públicos e o compromisso com a permanência estudantil, sem abrir mão da continuidade das atividades acadêmicas, científicas e assistenciais que constituem sua missão central perante a sociedade brasileira.
Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
IVEPESP
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