1. O PROBLEMA

A sociedade brasileira está diante de uma quantidade crescente de indicadores sobre a qualidade da educação.

Ter muitos dados é positivo. O problema surge quando diferentes avaliações, todas apresentadas ao público como retratos da qualidade do mesmo Ensino Médio, produzem resultados aparentemente contraditórios.

Enem, Saeb e Ideb podem colocar uma mesma rede estadual em posições extremamente diferentes.

Em determinados casos, a variação supera quinze ou até vinte posições entre uma classificação e outra.

Isso provoca uma pergunta inevitável:

como uma mesma rede de Ensino Médio pode estar entre as melhores do Brasil em determinada avaliação e, simultaneamente, aparecer muito abaixo em outra?

A resposta exige cuidado.

As diferenças não demonstram necessariamente que algum indicador esteja errado.

Demonstram, entretanto, que estamos transformando instrumentos que medem dimensões distintas da educação em rankings aparentemente equivalentes, sem explicar suficientemente à sociedade as diferenças metodológicas existentes.

É esse problema que precisa ser enfrentado.


2. O CASO DO PIAUÍ É EMBLEMÁTICO

Os resultados de 2025 ajudam a compreender a questão.

O Piauí alcançou 4,9 no Ideb do Ensino Médio regular de sua rede estadual, situando-se no grupo com o segundo melhor resultado do país, atrás apenas do Paraná. Os resultados oficiais do Ideb 2025 foram publicados pelo Inep em agosto de 2026. (Serviços e Informações do Brasil)

Quando observamos diretamente as proficiências do Saeb, entretanto, aparece um retrato mais detalhado.

No Ensino Médio, o Piauí alcançou aproximadamente:

279,4 pontos em Língua Portuguesa — 7ª posição entre as UFs;

e

286,6 pontos em Matemática — 3ª posição.

Portanto, dizer simplesmente que o Piauí possui a “5ª melhor nota no Saeb” esconde uma informação importante: o Saeb não possui necessariamente uma única nota ou posição que represente todo o desempenho do Ensino Médio. As proficiências de Língua Portuguesa e Matemática são divulgadas separadamente.

Isso já demonstra a dificuldade existente na construção de rankings simplificados.

Quando se compara esse desempenho com levantamentos realizados a partir dos microdados do Enem 2025, o Piauí aparece em posição consideravelmente mais baixa, dependendo dos critérios utilizados para selecionar os estudantes e calcular a média.

O próprio Inep disponibiliza os microdados do Enem — notas, informações dos participantes, questionários e demais variáveis — permitindo que pesquisadores e instituições construam diferentes recortes estatísticos. Portanto, muitas das classificações estaduais divulgadas como “ranking do Enem” são elaborações realizadas a partir dos microdados, e não um ranking oficial único publicado pelo Inep. (Serviços e Informações do Brasil)

O fenômeno permanece relevante:

como uma rede que está entre as primeiras do Brasil em Matemática no Saeb e entre as primeiras no Ideb pode aparecer consideravelmente abaixo em classificações baseadas no Enem?

Essa é uma questão legítima de política educacional.


3. PARÁ E DISTRITO FEDERAL REFORÇAM O PROBLEMA

O Pará apresenta outro exemplo.

No Ideb 2025 do Ensino Médio regular, a rede estadual alcançou 4,4, posicionando-se aproximadamente no grupo correspondente ao 9º melhor resultado nacional, dependendo do tratamento dado aos empates.

Entretanto, levantamentos derivados dos resultados do Enem colocam a rede paraense muito abaixo.

Temos, portanto, uma diferença que pode alcançar aproximadamente quinze posições entre os dois retratos.

O Distrito Federal apresenta situação ainda mais expressiva.

Em classificações derivadas do Enem, seus estudantes podem aparecer entre os primeiros grupos nacionais.

No Ideb 2025 da rede pública estadual/distrital do Ensino Médio regular, entretanto, o resultado foi 3,6, o menor entre as 27 unidades da Federação naquele recorte.

Assim, dependendo da metodologia utilizada para construir o ranking do Enem, a distância entre as duas classificações pode superar vinte posições.

Uma diferença dessa magnitude precisa ser explicada para a sociedade.

Ela não significa necessariamente erro estatístico.

Significa que os instrumentos estão medindo populações, competências e dimensões educacionais diferentes.


4. EM OUTROS ESTADOS, OS INDICADORES CONVERGEM

Há também estados nos quais as avaliações apresentam maior coerência entre si.

Em algumas redes situadas nas posições inferiores, diferentes indicadores apontam persistentemente para dificuldades de aprendizagem e de trajetória escolar.

Bahia, Maranhão, Amazonas e Roraima, embora apresentem variações conforme o indicador e o recorte utilizado, permanecem frequentemente entre os grupos que demandam maior atenção.

Nesse caso, quando diferentes instrumentos convergem para uma mesma direção, o diagnóstico torna-se particularmente importante.

Há necessidade de políticas estruturais de recuperação da aprendizagem, valorização dos professores, melhoria da gestão escolar, redução das desigualdades socioeconômicas e ampliação da permanência dos estudantes.

Na outra extremidade, Paraná, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul aparecem com frequência entre os grupos de melhor desempenho em diferentes dimensões, embora suas posições relativas também mudem conforme a avaliação utilizada.

A existência dessas diferenças mostra que não basta perguntar:

“Qual estado ficou em primeiro lugar?”

É muito mais importante perguntar:

“Primeiro lugar em quê?”


5. POR QUE ENEM, SAEB E IDEB PODEM PRODUZIR RESULTADOS DIFERENTES?

A explicação começa pela própria natureza dos três instrumentos.

ENEM

O Enem foi historicamente concebido com forte ligação ao acesso ao Ensino Superior.

Sua matriz contempla:

Linguagens;

Ciências Humanas;

Ciências da Natureza;

Matemática;

e Redação.

A matriz de referência do Enem envolve competências como domínio de linguagens, compreensão de fenômenos, resolução de situações-problema, construção de argumentação e elaboração de propostas. (Serviços e Informações do Brasil)

Além disso, até recentemente, a participação não correspondia necessariamente à totalidade dos concluintes de determinada rede.

No Enem 2025 foram registrados cerca de 4,8 milhões de inscritos, mas aproximadamente 70% realizaram os dois dias de prova. Cerca de 1,39 milhão dos inscritos confirmados eram concluintes da rede pública. (Serviços e Informações do Brasil)

Isso cria um importante possível efeito de seleção.

Em determinadas redes, podem comparecer proporcionalmente mais estudantes interessados em ingressar no Ensino Superior e com maior preparação acadêmica.

Em outras, a participação pode ser muito mais ampla.

Consequentemente, comparar médias sem informar a taxa de participação pode produzir interpretações equivocadas.


6. O SAEB MEDE OUTRA COISA

O Sistema de Avaliação da Educação Básica — Saeb — possui finalidade primordialmente diagnóstica e de avaliação dos sistemas educacionais.

Os resultados são divulgados pelo Inep para Brasil, regiões, estados e outros estratos, inclusive com separação por dependência administrativa. (Serviços e Informações do Brasil)

No Ensino Médio, Língua Portuguesa e Matemática constituem historicamente o núcleo mais utilizado para monitoramento das proficiências e para construção do Ideb.

O Saeb possui, entretanto, uma estrutura de avaliação mais ampla e vem passando por transição de suas matrizes para maior alinhamento à Base Nacional Comum Curricular — BNCC. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto:

Enem e Saeb não avaliam exatamente as mesmas competências, da mesma maneira, nem necessariamente o mesmo conjunto de estudantes.

Comparar diretamente a posição de um estado em ambos exige cautela.


7. O IDEB NÃO É UMA PROVA

Esta talvez seja a diferença menos compreendida pela sociedade.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — Ideb — não corresponde simplesmente à nota obtida pelos estudantes em uma avaliação.

O indicador combina fundamentalmente duas dimensões:

aprendizagem + fluxo escolar.

Ou seja, incorpora o desempenho educacional e informações relacionadas à trajetória dos estudantes, particularmente aprovação.

O próprio Inep destaca que o Ideb reflete simultaneamente desempenho dos estudantes e taxas de aprovação. (Serviços e Informações do Brasil)

Consequentemente, duas redes com proficiências semelhantes no Saeb podem apresentar Ideb diferentes caso suas taxas de aprovação sejam distintas.

Da mesma maneira, uma rede pode melhorar o Ideb:

porque seus estudantes aprenderam mais;

porque houve melhoria do fluxo escolar;

ou porque ocorreram simultaneamente as duas coisas.

Todas são informações importantes.

O problema aparece quando tudo isso é condensado em um único número e apresentado ao público simplesmente como:

“o estado tem a 2ª melhor educação do Brasil”.

Essa conclusão pode ser excessivamente simplificadora.


8. A GRANDE MUDANÇA COMEÇOU EM 2026

O Governo Federal iniciou uma transformação que poderá reduzir parte dessa fragmentação.

O Decreto nº 12.915, de 30 de março de 2026, alterou a regulamentação da Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica e estabeleceu expressamente que:

“O Enem integra o Saeb”.

O decreto determina ainda que o exame deverá aferir competências e habilidades esperadas ao final da Educação Básica, em consonância com a BNCC e as diretrizes curriculares nacionais. (Portal da Câmara dos Deputados)

Essa é uma transformação estrutural.

O Enem deixa de ser compreendido exclusivamente como instrumento de acesso ao Ensino Superior e passa formalmente a integrar a arquitetura nacional de avaliação da Educação Básica.


9. AS 10 PRINCIPAIS MUDANÇAS

1 — O Enem passou formalmente a integrar o Saeb.
O Decreto nº 12.915/2026 incorporou o exame ao Sistema de Avaliação da Educação Básica. (Portal da Câmara dos Deputados)

2 — O Enem assumirá papel central na avaliação do 3º ano do Ensino Médio.
O presidente do Inep anunciou que, a partir de 2027, o Enem passará a ser utilizado como instrumento oficial de avaliação do 3º ano do Ensino Médio no lugar da prova tradicional do Saeb nessa etapa. (Correio Braziliense)

3 — A avaliação torna-se mais abrangente.
Em vez de concentrar o diagnóstico principalmente nas proficiências de Língua Portuguesa e Matemática utilizadas tradicionalmente no Ideb, o Enem alcança Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Redação. (Serviços e Informações do Brasil)

4 — A melhoria educacional precisará ser mais ampla.
Uma rede não poderá ser avaliada apenas pelo desempenho em duas áreas centrais. O novo modelo cria condições para observar uma parcela muito maior da formação acadêmica oferecida aos estudantes.

5 — A participação dos concluintes deverá aumentar significativamente.
O Inep está adotando inscrição automática para concluintes da rede pública e ampliando os locais de aplicação. Para o Enem 2026, foi anunciada expansão de aproximadamente 10 mil escolas como locais de prova. (Serviços e Informações do Brasil)

6 — A avaliação poderá produzir informações mais abrangentes sobre escolas públicas e privadas.
O objetivo anunciado é ampliar fortemente a cobertura da avaliação do Ensino Médio, permitindo diagnóstico mais detalhado do sistema educacional como um todo. (Correio Braziliense)

7 — O estudante possui um incentivo individual muito maior para realizar o Enem.
Enquanto uma avaliação institucional isolada não produz consequência direta para o participante, o Enem pode definir oportunidades educacionais posteriores. A expectativa é que esse incentivo aumente o comprometimento dos estudantes com a prova.

8 — Maior participação poderá produzir dados melhores, desde que a taxa de cobertura seja divulgada.
Não basta publicar a média de cada estado ou escola. É indispensável informar quantos concluintes existiam, quantos participaram e qual foi a taxa efetiva de participação.

9 — O Enem passa a acumular diferentes funções.
Continua ligado ao ingresso no Ensino Superior por mecanismos como Sisu, Prouni e Fies, mantém outras possibilidades estabelecidas pelo poder público e passa a desempenhar papel central no diagnóstico da qualidade do Ensino Médio.

10 — 2026, 2027 e 2028 constituem período de transição.
Em 2026 houve ampliação da participação e integração institucional. Para 2027, o Inep anunciou a utilização do Enem no lugar da prova do Saeb no 3º ano do Ensino Médio. Para 2028, as normas educacionais determinam o alinhamento das matrizes às mudanças do Ensino Médio, enquanto o Inep estuda ainda questões de resposta aberta e componentes relacionados aos itinerários formativos. Essas últimas alterações permanecem em discussão e deverão ser regulamentadas antes de sua implementação. (Correio Braziliense)


10. A MUDANÇA É POSITIVA, MAS NÃO RESOLVE SOZINHA O PROBLEMA

Substituir uma prova por outra não resolverá automaticamente a dificuldade brasileira de comunicar a qualidade da educação.

Existe o risco de simplesmente criarmos um novo ranking.

Em poucos anos poderemos estar novamente discutindo qual estado ficou em 1º, 5º ou 20º lugar, sem compreender o que essas posições realmente significam.

A mudança deveria ser aproveitada para algo mais ambicioso:

reformular a maneira como o Brasil apresenta seus resultados educacionais à sociedade.


11. PROPOSTA DO IVEPESP: PAINEL ÚNICO DA QUALIDADE DO ENSINO MÉDIO

O IVEPESP propõe que o Inep desenvolva um Painel Único da Qualidade do Ensino Médio, reunindo, para cada unidade da Federação, rede e, quando tecnicamente possível, escola, diferentes dimensões da educação.

Esse painel deveria apresentar conjuntamente: proficiência em Linguagens e Língua Portuguesa; Matemática; Ciências Humanas; Ciências da Natureza; Redação; percentual de concluintes participantes da avaliação; aprovação; reprovação; abandono; distorção idade-série; indicadores socioeconômicos; evolução histórica dos resultados; desigualdades internas da rede; e, finalmente, o Ideb.

O princípio deveria ser simples:

nenhum indicador isolado deve ser tratado como sinônimo de qualidade da educação.


12. É PRECISO SUBSTITUIR O “RANKING” PELO DIAGNÓSTICO

A obsessão pela posição relativa entre os estados pode esconder aquilo que realmente interessa.

Suponhamos que uma rede passe da 15ª para a 10ª posição.

Isso pode parecer grande avanço.

Mas talvez sua aprendizagem tenha permanecido praticamente estável e outros estados simplesmente tenham piorado.

O inverso também pode ocorrer.

Uma rede pode cair do 5º para o 8º lugar mesmo tendo aumentado significativamente a aprendizagem, caso outras redes tenham melhorado ainda mais.

Por isso, além da posição relativa, o cidadão precisa saber:

quanto os estudantes sabem;

quanto aprenderam nos últimos anos;

quantos chegam ao final do Ensino Médio;

quantos abandonam a escola;

qual parcela dos concluintes participou da avaliação;

e

como os resultados variam entre estudantes de diferentes condições socioeconômicas.

Essa informação é muito mais importante do que uma medalha simbólica de primeiro ou segundo lugar.


13. PARTICIPAÇÃO PRECISA APARECER AO LADO DA NOTA

Essa recomendação torna-se ainda mais importante com a utilização do Enem como instrumento de avaliação do sistema educacional.

Uma média obtida com 50% dos concluintes presentes não possui exatamente a mesma representatividade de uma média obtida com participação próxima de 90%.

Portanto, qualquer resultado por estado, rede ou escola deveria apresentar obrigatoriamente:

Nota média + percentual de participação.

Sem esse dado, corre-se o risco de premiar ou penalizar redes em razão da composição do grupo que compareceu à prova.

A decisão do Inep de realizar inscrição automática de concluintes da rede pública e ampliar a quantidade de locais de aplicação vai justamente na direção de reduzir esse problema. (Serviços e Informações do Brasil)


14. O IDEB TAMBÉM DEVERIA SER “ABERTO”

O Ideb é extremamente útil como indicador sintético.

Mas sua simplicidade também constitui uma limitação.

A sociedade deveria visualizar imediatamente, ao lado do índice final:

componente de aprendizagem
e
componente de fluxo escolar.

Uma escola ou rede deveria poder mostrar:

“Nosso Ideb aumentou principalmente porque a aprendizagem melhorou.”

ou:

“Nosso Ideb aumentou principalmente porque diminuímos reprovação e abandono.”

Ambos podem representar avanços.

Mas são avanços diferentes e exigem políticas diferentes.


15. O CASO DO PIAUÍ DEVERIA SER ESTUDADO, NÃO APENAS RANQUEADO

O Piauí representa um excelente exemplo da necessidade dessa nova abordagem.

Se o estado alcança simultaneamente posição muito elevada em Matemática no Saeb e resultado excepcional no Ideb, enquanto determinados recortes do Enem produzem posição consideravelmente mais baixa, não devemos concluir imediatamente que algum indicador está errado.

Devemos perguntar:

quem participou de cada avaliação?

qual foi a taxa de participação?

quais competências foram avaliadas?

qual o peso da aprovação no Ideb?

o desempenho é homogêneo entre as áreas do conhecimento?

há diferença entre os estudantes que pretendem ingressar no Ensino Superior e o conjunto dos concluintes?

Responder a essas questões transforma uma aparente contradição em conhecimento útil para a formulação de políticas públicas.


16. UMA OPORTUNIDADE HISTÓRICA

A incorporação do Enem ao Saeb pode representar uma das maiores mudanças do sistema brasileiro de avaliação do Ensino Médio desde a criação do próprio Enem e do Ideb.

Há uma oportunidade para integrar:

avaliação da aprendizagem;

acesso ao Ensino Superior;

informações sobre trajetória escolar;

dados socioeconômicos;

e

monitoramento das desigualdades educacionais.

Mas essa integração precisa ser acompanhada de governança técnica, transparência metodológica e comunicação adequada.

Caso contrário, apenas substituiremos três rankings confusos por um novo ranking igualmente simplificado.


17. RECOMENDAÇÕES DO IVEPESP

O IVEPESP considera oportuno que o MEC e o Inep, durante a transição 2026–2028, adotem cinco princípios fundamentais.

Primeiro: transparência metodológica.
Todo resultado deverá informar claramente população avaliada, critérios de inclusão, participação e metodologia de cálculo.

Segundo: multidimensionalidade.
Qualidade educacional não pode ser reduzida a uma única nota.

Terceiro: comparabilidade responsável.
Não se devem apresentar como diretamente comparáveis avaliações que medem populações ou competências distintas sem informar essas diferenças.

Quarto: divulgação dos componentes.
Ideb, médias de proficiência e demais indicadores devem ser apresentados com seus componentes básicos visíveis.

Quinto: foco na evolução da aprendizagem.
A principal medida de sucesso deveria ser quanto uma rede conseguiu melhorar a aprendizagem de seus próprios estudantes ao longo do tempo — e não apenas sua posição em relação aos outros estados.


18. CONCLUSÃO

Os resultados de Enem, Saeb e Ideb não precisam ser idênticos.

Na realidade, seria até surpreendente se fossem.

Eles possuem histórias, finalidades, metodologias, populações avaliadas e componentes diferentes.

O problema está em apresentar esses resultados à sociedade como se fossem três réguas equivalentes medindo exatamente a mesma coisa.

Quando um estado pode aparecer entre os primeiros em um indicador e vinte posições abaixo em outro, a sociedade tem o direito de perguntar:

por quê?

A resposta não pode ser simplesmente que “as metodologias são diferentes”.

É dever das instituições públicas mostrar como são diferentes e o que cada resultado significa.

A integração do Enem ao Saeb oferece ao Brasil a oportunidade de organizar esse sistema.

O objetivo não deveria ser descobrir qual estado ganhou o campeonato educacional de determinado ano.

O objetivo deveria ser saber:

onde nossos estudantes estão aprendendo;

onde não estão aprendendo;

por que existem essas diferenças;

e, principalmente,

o que precisa ser feito para que todos aprendam mais.

Porque avaliar não significa produzir rankings.

Avaliar significa produzir conhecimento confiável para melhorar a escola.


Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo
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Cerqueira César – São Paulo/SP
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