O Brasil chega ao período de 2027 a 2030 diante de importantes desafios educacionais, científicos e tecnológicos. A ampliação do acesso à educação, a expansão do ensino superior e o desenvolvimento da pesquisa científica constituem transformações significativas das últimas décadas. Entretanto, permanecem questões fundamentais relacionadas à qualidade da aprendizagem, à formação profissional, à produtividade e à capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social.

Ao longo de 2026, o Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo (IVEPESP) apresentou análises sobre a educação brasileira, o desempenho das universidades, a formação de capital humano, a inteligência artificial e a relação entre pesquisa científica e inovação.

Esses estudos oferecem elementos para uma agenda educacional de médio prazo, estruturada em propostas que podem ser examinadas e debatidas pelas instituições responsáveis pelas diferentes etapas do sistema de ensino.

1. Educação básica: aprendizagem como indicador fundamental

A expansão do acesso à escola representou uma conquista nacional. Entretanto, a permanência dos estudantes no sistema educacional não assegura, isoladamente, o domínio das competências essenciais.

Alfabetização, compreensão de textos, raciocínio matemático, pensamento científico e capacidade de argumentação constituem dimensões fundamentais da formação educacional.

Entre as propostas para discussão no período de 2027 a 2030 destacam-se:

  • Estabelecimento de indicadores transparentes de aprendizagem para cada etapa escolar.
  • Fortalecimento da alfabetização e da formação matemática nos anos iniciais.
  • Ampliação da formação continuada e do apoio pedagógico aos professores.
  • Utilização de avaliações diagnósticas para identificar e enfrentar defasagens de aprendizagem.
  • Desenvolvimento de programas de recuperação educacional e acompanhamento dos estudantes.
  • Maior articulação entre universidades, redes públicas de ensino e instituições formadoras de professores.

O acompanhamento da qualidade educacional exige observar não apenas matrículas e investimentos, mas também a evolução efetiva da aprendizagem.

2. Ensino superior: qualidade, formação e contribuição para a sociedade

O ensino superior brasileiro experimentou uma expressiva expansão, acompanhada de mudanças na composição das instituições, nas modalidades de ensino e no perfil dos estudantes.

A análise desse processo exige considerar diferentes dimensões: acesso, permanência, qualidade acadêmica, conclusão dos cursos, produção científica, inserção profissional e impacto social.

Para 2027–2030, podem ser examinadas propostas como:

  • Aperfeiçoamento dos mecanismos de avaliação da qualidade dos cursos superiores.
  • Monitoramento sistemático da evasão e das taxas de conclusão.
  • Ampliação da formação científica e tecnológica, especialmente nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
  • Fortalecimento das licenciaturas e da formação de professores.
  • Maior integração entre graduação, pós-graduação, pesquisa e inovação.
  • Ampliação de mecanismos de cooperação entre universidades, institutos de pesquisa e empresas.

A discussão sobre o ensino superior deve incorporar suas diferentes finalidades institucionais, reconhecendo as atividades de ensino, pesquisa, extensão e formação profissional.

3. A presidência do Conselho Nacional de Educação e o diálogo institucional

A eleição do professor Otavio Luiz Rodrigues Jr., professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, para a presidência do Conselho Nacional de Educação (CNE), em 27 de outubro de 2026, integra o contexto institucional dessa agenda.

Eleito por unanimidade para o biênio 2026–2028, o professor Otavio já havia exercido a presidência da Câmara de Educação Superior do Conselho, além de desempenhar funções acadêmicas e administrativas vinculadas à educação e ao serviço público.

O CNE possui atribuições normativas, deliberativas e de assessoramento ao Ministério da Educação. Sua atuação envolve as diretrizes nacionais, a qualidade educacional e a articulação entre os diferentes níveis de ensino.

Nesse contexto, o período de 2027 a 2030 apresenta temas relevantes para o debate no âmbito do Conselho, entre eles:

  • Integração entre educação básica e educação superior.
  • Diretrizes para a formação inicial e continuada dos professores.
  • Avaliação e regulação do ensino superior.
  • Transformações curriculares associadas ao desenvolvimento tecnológico.
  • Educação digital e utilização da inteligência artificial.
  • Articulação entre políticas educacionais e produção científica.
  • Participação das instituições acadêmicas e científicas no debate nacional sobre educação.

Essas questões podem contribuir para o diálogo entre o CNE, as instituições educacionais, as entidades científicas e a sociedade.

4. Inteligência artificial: novas competências para a educação

A inteligência artificial introduz novas possibilidades e desafios para a educação brasileira.

Ferramentas de IA generativa já podem auxiliar na elaboração de materiais didáticos, na personalização de atividades, na análise de dificuldades de aprendizagem e no apoio à pesquisa científica.

Sua utilização, entretanto, também suscita questões sobre confiabilidade, autoria, integridade acadêmica, privacidade, desigualdade de acesso e formação dos profissionais da educação.

Uma agenda educacional para 2027–2030 pode incluir:

  • Alfabetização digital e em inteligência artificial desde a educação básica.
  • Formação de professores para utilização crítica e pedagógica dessas tecnologias.
  • Desenvolvimento de diretrizes institucionais para seu uso responsável.
  • Incentivo à pesquisa científica sobre IA aplicada à educação.
  • Avaliação dos efeitos das ferramentas digitais sobre a aprendizagem.
  • Ampliação do acesso à infraestrutura digital e à conectividade.

O objetivo educacional permanece associado ao desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia intelectual, da criatividade e da capacidade de resolver problemas.

5. Ciência, pesquisa e formação de capital humano

A produção científica e a formação de pesquisadores constituem dimensões importantes do sistema educacional brasileiro.

Universidades, institutos de pesquisa e programas de pós-graduação participam tanto da formação de profissionais altamente qualificados quanto da geração de conhecimentos aplicáveis a diferentes setores da sociedade.

Entre os temas para análise no período destacam-se a estabilidade do financiamento científico, a infraestrutura de laboratórios, a cooperação internacional, a valorização dos pesquisadores e a formação de novas gerações de cientistas.

Também merece atenção a contribuição dos pesquisadores seniores, cuja experiência pode apoiar atividades de orientação, formação científica, transferência de conhecimento e desenvolvimento institucional.

6. Educação profissional, inovação e produtividade

A relação entre educação e desenvolvimento econômico envolve a formação de profissionais capazes de acompanhar mudanças tecnológicas e organizacionais.

A expansão da automação e da inteligência artificial transforma atividades profissionais e cria demandas por competências técnicas, científicas e socioemocionais.

Nesse contexto, podem ser estudados mecanismos para ampliar a articulação entre educação profissional, ensino superior, pesquisa aplicada, empresas e ambientes de inovação.

A formação continuada, a aprendizagem profissional e a requalificação de trabalhadores integram essa discussão, assim como as oportunidades educacionais para jovens e adultos.

7. Avaliação de resultados e acompanhamento até 2030

A implementação de iniciativas educacionais exige instrumentos de acompanhamento que permitam distinguir recursos empregados, atividades executadas e resultados alcançados.

Para o período de 2027 a 2030, o acompanhamento pode considerar indicadores de alfabetização, desempenho escolar, conclusão de cursos, formação docente, evasão, qualificação profissional, produção científica e utilização de tecnologias educacionais.

Esses indicadores devem ser analisados a partir de séries históricas, diferenças regionais e características socioeconômicas dos estudantes, respeitando as responsabilidades das diversas esferas de governo.

Considerações finais

A agenda educacional brasileira para 2027–2030 envolve desafios que atravessam diferentes níveis de ensino e áreas do conhecimento.

A melhoria da aprendizagem, a qualidade da formação universitária, o desenvolvimento científico, a transformação digital e a preparação profissional são temas interdependentes, cujo acompanhamento requer dados confiáveis, participação institucional e avaliação contínua.

A recente eleição do professor Otavio Luiz Rodrigues Jr. para a presidência do Conselho Nacional de Educação acrescenta um novo elemento ao contexto institucional em que esses debates serão conduzidos.

O IVEPESP, como instituição dedicada à valorização da educação e da pesquisa, poderá contribuir para essas discussões por meio de estudos, observatórios, notas técnicas e iniciativas de cooperação com universidades, instituições científicas e organizações da sociedade.

Uma agenda educacional orientada por evidências permite acompanhar não apenas a expansão das oportunidades de ensino, mas também a aprendizagem, a formação científica e os resultados sociais produzidos pelo sistema educacional.


Prof. Dr. Hélio Dias
Presidente do IVEPESP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo
[email protected]
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/

Referências institucionais

A informação sobre a presidência do CNE está documentada na comunicação da OAB Nacional, 27 de outubro de 2026. As atribuições do Conselho constam da página oficial do CNE no Ministério da Educação.

A nota está estruturada como contribuição institucional ao debate educacional, e não como uma agenda já aprovada pelo CNE.