Artigo

Publicado em 12 de janeiro de 2016 | Por:

Artigo Pátria Educadora de 11 de jan de 2016 do amigo e membro do IVEPESP Stavros Xanthopoylos

Esses tempos atrás me deparei no feed do Facebook com um artigo do RESCOLA.COM.BR cujo título dizia “Finlândia será o primeiro país do mundo a abolir, em parte, a divisão de conteúdo escolar em matérias”, compartilhei o post escrevendo: Finalmente, a visão integrada por processo chegou à Educação. Notável! Interessante, o sistema fala de valorizar mais ainda o professor e bonificações para os que aderirem. Leiam é muito interessante.

Minutos depois vi a seguinte indagação no perfil de um reconhecido professor de economia da USP e de Harvard,

“Mentira, Harvard foi a primeira, com O Método de Ensino do Caso. No ensino por estudos de caso, desenvolvido em 1910 nas faculdades de direito e administração, nunca se sabe qual a matéria ou conjunto de matérias que serão chamadas para resolver o caso. O ensino é centrado em problemas, problemas concretos, e não teorias por matérias”.

 Creio que o professor reagiu rápido demais ao defender suas cores nos EUA, porque uma coisa é adotar estudo de casos na Universidade, porque não se ensinou a pensar de forma sistêmica desde cedo, tal como não se ensina qualidade, sustentabilidade, cidadania digital, por exemplo, e outra coisa é estruturar a Pedagogia do Ensino Fundamental e Médio, de forma transversal. Assim, os alunos já terão uma atitude de resolução de problemas, visão ampla, não só no campo do direito e da administração, ou em alguns casos mais recentes, na engenharia e a vida será melhor!

 Continuando, Harvard adotou o método dos casos como solução de ação corretiva, fazendo um paralelo, igual na era do Controle de Qualidade, tratava-se o efeito e não a causa, ao sistema de formação mecanicista que vivemos até hoje, na formação básica e na graduação, porém permeia-lo aos níveis básicos, não era possível, pois nem as lideranças tinham cultura para isso, ou conhecimento, ou não queriam. No Brasil, nossos congressistas, tirando meia dúzia, até hoje não sabem de que estamos falando aqui. Ou seja, adotar esse método de aprendizagem por meio de estudo de fenômenos que enxergo muito além de Estudo de Casos e PBL (Aprendizagem baseada em problemas ou projetos), constrói de forma preditiva o futuro cidadão de como o mundo funciona e não como Taylor e Ford estabeleceram nos processos produtivos, alias modelos que até hoje imperam como base na produção, adaptados, com muita propriedade e efetividade pelo avanço da tecnologia.

Hoje, a tecnologia de integração e sociabilidade disponível torna viável este processo com escalabilidade e efetividade. Assim, muito mais gente poderá desenvolver competências e habilidades essenciais para a formação de uma sociedade melhor.

Competências e habilidades como trabalhar em equipe, disciplina, tolerância e flexibilidade, respeito á posição do outro, consenso e conflito positivo, uso efetivo das TIC´s, melhor formação em leitura e escrita, além de criar uma consciência global mais apurada, pensamento crítico, habilidade de pesquisa, entre outras, destacando que a própria definição do que fazer na vida surgirá mais rapidamente. Hoje só adquirimos essas habilidades tardiamente na vida, nos MBA´s de Harvard, da FGV, IBMEC, USP, COPPEAD, Dom Cabral, por exemplo, ou quando temos sorte, em casa ou na vida, encontrando alguém que nos adota e desperta.

Instrumentos que com essa abençoada ação do Governo Finlandês teremos um ponto de inflexão no ensino, muito animador, na minha visão. Assim, a Finlândia vai aplicar pedagogia do Século XXI, não do Século 19, com professores preparados para o Século XXI, não para o século 20, para alunos do século XXI.

Viva a Finlândia, aparentemente o frio faz pensar!  Lembrando que conheço e já lecionei com casos de Harvard, em Programa de Harvard, e muitas vezes o aluno sai com o seguinte resultado, se isso, então faça, assim, tão mecanicista quanto a sua formação!

O único outro exemplo que conheço que está com sua população pronta para atuar no mercado do Século XXI é o a Coréia do Sul, que só poupou os seus septuagenários dessa incumbência, e garante que o resto de sua população economicamente ativa ou está sendo preparada ou está apta para enfrentar o presente para gerar o futuro. O modelo da Coréia evoluiu do pós-guerra, momento que aplicava-se o processo WWW (Whatever, Whoever, Whenever), aprender qualquer coisa, com quem quer que seja quando possível, para o SSS (Same Time, Same Age, Same Content), método tradicional de ensino e atualmente aplica-se o AAA (Anytime, Anyone, Any Content), a qualquer tempo, qualquer um, qualquer conteúdo, ilimitado, em função da necessidade.

E Pátria Educadora, essa Finlândia! E a Coréia do Sul, que evolução!

No Brasil, se fala em Base Nacional Comum, ótimo, com que finalidade? Nosso ENEM, está melhor e mais maduro do que nunca, porém para preparar nossos jovens para o Século XX. Precisa ser revisto urgentemente.

Por fim, vale ressaltar que em pesquisa da OECD, em 2012 o Brasil  foi o terceiro pais que mais investe em Educação em percentual de PIB,  porém, foi o penúltimo em salário de professores. Ou seja, não parece ser problema de volume de recursos, mas sim de como são geridos e aplicados.

Ah, quanto ainda temos a caminhar… 

 Prof Dr Stavros P Xanthopoylos



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