O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), por meio de sua Gerência de Aprendizagem e Conteúdos, apresentou em setembro de 2026 um amplo conjunto de informações sobre a dimensão de seu Programa Jovem Aprendiz, sua estrutura de capacitação, o perfil dos jovens atendidos, sua distribuição entre diferentes programas e os resultados observados entre egressos.
Os números permitem conhecer com maior precisão uma das maiores estruturas de aprendizagem profissional em funcionamento no país.
Nesta nota, o IVEPESP procura organizar e destacar os principais dados da apresentação, sem avançar, neste momento, para propostas de mudanças na política de aprendizagem.
1. Uma estrutura de capacitação com 685 profissionais
A dimensão do programa começa pela própria estrutura mobilizada para a capacitação.
A Supervisão de Capacitação da Aprendizagem conta com 685 colaboradores, incluindo 546 instrutores de aprendizagem, 57 estagiários de aprendizagem, 29 líderes técnicos, 20 inspetores, 9 assistentes educacionais, 7 especialistas pedagógicos, além de profissionais administrativos e de suporte. Dos 29 líderes técnicos, 15 atuam no Estado de São Paulo e 14 em outras regiões.
A apresentação mostra, portanto, que a aprendizagem profissional envolve uma estrutura educacional e pedagógica de dimensão considerável, além da relação contratual estabelecida entre jovem e empresa.
2. Uma rede com mais de 200 polos
Em agosto de 2026, o CIEE registrava 193 polos presenciais ativos e 16 polos in company.
O gráfico apresentado mostra ainda expansão dos polos presenciais durante 2026: eram 184 em janeiro, chegando a 193 em agosto. Os polos in company passaram de 15 no início do ano para 16.
A distribuição das 29 lideranças técnicas evidencia também a amplitude geográfica da operação, com bases em diferentes regiões de São Paulo e em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Maranhão, Amazonas, Paraíba, Ceará, Alagoas, Pará e Bahia, além do Distrito Federal e da operação EaD Brasil.
3. Crescimento da aprendizagem presencial em 2026
Um dos gráficos mais interessantes da apresentação é o da evolução mensal dos aprendizes presenciais.
O número passou de 79.882 em janeiro para 89.925 em agosto de 2026. Isso corresponde a um acréscimo de 10.043 aprendizes presenciais no período, aproximadamente 12,6%.
Ao mesmo tempo, ocorreu movimento diferente na modalidade EaD: os aprendizes ativos passaram de 8.097 em janeiro para 5.294 em agosto.
Portanto, os gráficos das páginas 5 e 6 mostram simultaneamente expansão da aprendizagem presencial e redução da participação do EaD ao longo dos oito primeiros meses de 2026.
4. Quem são os 95 mil aprendizes ativos
A base total apresentada pelo CIEE reúne 95.219 aprendizes ativos.
Desse universo:
53.701 são mulheres (56,4%) e 41.518 são homens (43,6%).
Há, portanto, predominância feminina na base de aprendizes atendida pelo programa.
5. Quase 90% estão vinculados ao Ensino Médio
O perfil de escolaridade é um dos dados mais expressivos da apresentação.
O Ensino Médio concentra 85.636 aprendizes, equivalentes a 89,9% da base. Desse total, 50.318 possuem Ensino Médio completo e 35.318 incompleto.
Há ainda 5.643 aprendizes no grupo do Ensino Fundamental; 3.215 em Ensino Técnico e Médio Técnico; e 725 classificados em Superior, Especial e Outros.
Os dados deixam evidente a forte associação entre o Programa Jovem Aprendiz e a etapa do Ensino Médio.
6. A forte concentração no Arco Administrativo
A distribuição dos aprendizes entre os programas constitui outro dado central da apresentação.
Dos 95.219 aprendizes ativos, 57.669 — 60,56% — estão no Arco Administrativo.
Na sequência aparecem:
Arco Comércio Atacadista e Varejista — 12.927 (13,58%); Logística — 7.256 (7,62%); EaD-Arco Administrativo — 2.296 (2,41%); Múltiplas Ocupações em Qualificação Industrial — 1.851 (1,94%); e Auxiliar de Produção — 1.308 (1,37%).
Quando agrupados em grandes segmentos, os números ficam ainda mais claros: Administrativo & Serviços reúne 63.785 aprendizes; Comércio, Varejo & Vendas, 16.634; e Logística, Produção & Agro, 14.800.
A apresentação caracteriza o segmento administrativo como a principal porta de entrada dos jovens no mercado corporativo.
7. O catálogo é mais diversificado do que a distribuição atual dos aprendizes
Embora exista forte concentração administrativa, o catálogo apresentado pelo CIEE em São Paulo contém uma variedade considerável de possibilidades formativas.
Além dos arcos administrativo, bancário e comercial, aparecem programas como Auxiliar de Logística; Operador de Suporte em Hardware/Software e Redes; Múltiplas Ocupações em Qualificação Industrial; Economia 4.0 – Impulso Digital; Processamento de Carnes e Derivados; Alimentação; Ocupações Agrícolas; Serviços Agroindustriais; e Turismo e Hotelaria.
A apresentação também mostra um catálogo específico para o Espírito Santo, distinguindo cursos destinados a menores e maiores e abrangendo atividades administrativas, comércio, logística, alimentação, indústria, supermercados e turismo.
Esse contraste entre a diversidade do catálogo e a concentração efetiva dos aprendizes em determinadas áreas é um dos aspectos que os dados permitem registrar, sem que seja necessário, nesta primeira nota, formular conclusões ou propostas sobre suas causas.
8. O que aconteceu com os egressos?
A parte final da apresentação é especialmente relevante porque ultrapassa a simples contabilização dos aprendizes ativos e apresenta uma Pesquisa de Egressos do Programa Jovem Aprendiz CIEE.
Quanto à situação no momento da pesquisa:
34,8% estavam empregados pelo regime CLT, já não como aprendizes; 10,7% estavam como jovens aprendizes; 10,3% realizavam estágio; 6,0% estavam em outros vínculos; e 38,25% não estavam trabalhando.
Além disso, 49,64% dos egressos afirmaram que o CIEE foi determinante para a conquista da vaga que ocupavam.
É importante registrar exatamente a terminologia da apresentação: ela caracteriza os 38,25% que não estavam trabalhando como estando em uma “fase ativa de transição”.
9. Desenvolvimento profissional, pessoal e cidadania
Os egressos também avaliaram os efeitos de sua participação no programa.
Somando-se as respostas “Concordo totalmente” + “Concordo”, os resultados alcançam:
94,53% em desenvolvimento profissional; 93,74% em desenvolvimento pessoal; 94,51% em melhor conhecimento dos direitos como cidadão; 91,23% em desenvolvimento da autonomia; 82,72% em ampliação da renda familiar; 80,86% em continuidade ou retomada dos estudos; e 85,12% em convívio familiar, comunitário e social.
Trata-se, portanto, de uma avaliação que procura captar efeitos do programa para além da obtenção imediata de uma ocupação.
10. Habilidades comportamentais
Outro bloco da pesquisa trata especificamente do desenvolvimento de habilidades.
A apresentação informa uma média geral de 85,8% na percepção de desenvolvimento comportamental, considerando dez dimensões.
Os maiores percentuais são registrados em trabalho em equipe (91,32%), comunicação (90,13%) e princípios éticos (89,06%).
Na sequência aparecem atitude positiva (87,71%), confiança (86,80%), organização e gestão do tempo (86,63%), flexibilidade (86,33%), motivação (84,95%), segurança (81,77%) e trabalho sob pressão (76,95%).
11. Uma base importante para compreender a aprendizagem profissional
A apresentação da Gerência de Aprendizagem e Conteúdos oferece um retrato quantitativo particularmente abrangente do Programa Jovem Aprendiz CIEE em 2026.
Alguns números sintetizam sua dimensão:
95.219 aprendizes ativos; 685 colaboradores na estrutura de capacitação; 193 polos presenciais e 16 polos in company; 89,9% dos aprendizes associados ao Ensino Médio; 60,56% concentrados no Arco Administrativo; 34,8% dos egressos pesquisados trabalhando posteriormente em regime CLT fora da condição de aprendiz; e média de 85,8% na percepção de desenvolvimento das habilidades comportamentais.
Prof. Dr. Hélio Dias
Presidente do IVEPESP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo
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Fonte: Gerência de Aprendizagem e Conteúdos – Jovem Aprendiz CIEE, apresentação de setembro de 2026.