O relatório Unlocking High-Quality Teaching (OCDE, 2025) reafirma um princípio central já destacado em manifestações anteriores do IVEPESP: a qualidade da docência é o fator escolar com maior impacto na aprendizagem e no desenvolvimento dos estudantes.
Ao dialogar com temas como inteligência artificial, formação docente e produtividade educacional, o documento contribui para atualizar o debate sobre políticas educacionais no Brasil.
1. Convergência com a agenda do IVEPESP sobre produtividade educacional
O IVEPESP tem sustentado que a baixa produtividade do sistema educacional brasileiro está associada menos à escassez de recursos e mais à dificuldade de transformar evidências em prática pedagógica consistente.
O relatório da OCDE converge com esse diagnóstico ao demonstrar que ganhos incrementais nas práticas de ensino, quando acumulados, podem gerar mudanças sistêmicas relevantes.
2. IA como aceleradora — não substituta — da docência
Notas anteriores do IVEPESP destacam que a inteligência artificial deve ser compreendida como instrumento de apoio à decisão pedagógica e à personalização da aprendizagem.
A OCDE reforça essa visão ao evidenciar que o ensino envolve julgamento profissional e adaptação contextual, elementos que não podem ser automatizados, mas podem ser potencializados por tecnologias digitais.
3. Formação docente e desenvolvimento de repertório profissional
O relatório reafirma que ensinar é simultaneamente ciência, arte e ofício, exigindo aprendizagem contínua e integração entre evidências e experiência profissional.
Essa perspectiva converge com a defesa institucional do IVEPESP por:
- formação docente baseada em práticas reais de sala de aula,
- comunidades de aprendizagem profissional,
- uso de IA e dados educacionais para aperfeiçoamento contínuo.
4. O papel estratégico da EAD e o caso da UNIVESP
Em notas anteriores, o IVEPESP tem destacado que a Educação a Distância (EAD) constitui um dos principais vetores de expansão do ensino superior brasileiro, permitindo:
- interiorização da oferta educacional,
- redução de desigualdades regionais,
- acesso a públicos trabalhadores e adultos,
- integração com tecnologias digitais e inteligência artificial.
Nesse contexto, merece destaque a experiência da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP), que representa uma das mais relevantes iniciativas públicas de EAD do país. A instituição tem contribuído para:
- ampliar o acesso ao ensino superior gratuito em municípios sem campus presencial,
- oferecer cursos alinhados a áreas estratégicas (especialmente STEM e formação de professores),
- estruturar modelos pedagógicos digitais inovadores.
Todavia, o IVEPESP tem alertado que mudanças regulatórias recentes e restrições institucionais podem comprometer a sustentabilidade e a expansão dessa experiência, o que configuraria risco estratégico para a democratização do ensino superior público em larga escala.
O relatório da OCDE reforça que a qualidade educacional não depende do formato presencial ou remoto, mas da qualidade das práticas pedagógicas, do desenho instrucional e da formação docente.
Assim, a agenda nacional não deve opor presencial e EAD, mas assegurar:
- padrões robustos de qualidade,
- regulação inteligente e diferenciada,
- investimento em formação docente digital,
- fortalecimento de iniciativas públicas de EAD de grande escala, como a UNIVESP.
5. Considerações finais
A convergência entre qualidade docente, uso estratégico da IA e expansão qualificada da EAD aponta para uma agenda capaz de elevar simultaneamente:
- produtividade educacional,
- equidade no acesso,
- relevância social do ensino superior.
O relatório da OCDE reforça, portanto, uma mensagem central do IVEPESP:
👉 a transformação educacional depende menos do formato e mais da qualidade da docência, do uso inteligente de tecnologias e da consistência das políticas públicas.
Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
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