Por que o Brasil continua preso a juros altos, baixo investimento e baixa produtividade — e como construir uma agenda de credibilidade, produtividade e convergência?

O Brasil chega à eleição presidencial de 2026 diante de um paradoxo.

Somos uma das maiores economias do mundo. Temos território continental, enorme capacidade de produzir alimentos e energia, recursos naturais abundantes, agricultura sofisticada, um sistema financeiro moderno, universidades e centros científicos relevantes e uma posição potencialmente privilegiada na transição energética e na economia verde.

Ainda assim, continuamos convivendo com características de uma economia que não conseguiu completar sua transição para o desenvolvimento: juros estruturalmente altos, baixo investimento, produtividade modesta, infraestrutura insuficiente e crescimento econômico irregular.

A próxima eleição deveria, portanto, discutir algo maior do que a distribuição da renda existente.

A pergunta central é:

como fazer essa renda crescer de forma sustentada durante as próximas décadas?

Minha proposta pode ser resumida em uma frase:

O Brasil precisa passar de uma economia organizada em torno da distribuição da escassez para uma economia organizada em torno da criação de produtividade.

Isso exige responsabilidade fiscal, mas responsabilidade fiscal sozinha não gera desenvolvimento.

Exige mercados, mas mercados sozinhos também não são suficientes.

Exige proteção social, mas transferências de renda não substituem investimento, educação, infraestrutura, competição, tecnologia e instituições capazes de sustentar políticas por décadas, e não apenas por ciclos eleitorais.

O desafio não é simplesmente fazer o Brasil crescer mais em 2027 ou 2028.

É mudar o modelo de crescimento do país.


O antigo modelo brasileiro chegou ao limite

Durante boa parte do século XX, o Brasil podia crescer mesmo sem avanços extraordinários de produtividade.

A população aumentava rapidamente. Milhões de pessoas migraram do campo para as cidades. A participação feminina no mercado de trabalho cresceu. A escolaridade aumentou. A industrialização ampliou o estoque de capital. A agricultura moderna transformou o Cerrado. O crédito se expandiu e as exportações de commodities cresceram.

Esses processos produziram uma transformação extraordinária.

Mas não podem ser repetidos indefinidamente.

O Brasil já é predominantemente urbano. A fecundidade caiu de maneira acentuada e o dividendo demográfico está terminando. A participação dos brasileiros com 60 anos ou mais, que era de cerca de 15,6% em 2023, poderá se aproximar de 37,8% em 2070 (IBGE, 2024).

Isso muda a equação.

No passado, o aumento do número de trabalhadores ajudava a compensar uma produtividade medíocre.

No futuro, menos trabalhadores terão de produzir renda suficiente para sustentar uma população idosa muito maior.

Há apenas uma solução duradoura:

cada trabalhador brasileiro precisa produzir mais.

E justamente aí está um dos maiores problemas do país.

A produtividade do trabalho no Brasil correspondia a apenas cerca de 24,7% da produtividade dos Estados Unidos em 2023, e nossa posição relativa havia piorado em comparação com 2016 (OECD, 2023).

O Brasil tornou-se sofisticado demais para competir principalmente por mão de obra barata, mas ainda não se tornou produtivo o suficiente para competir sistematicamente por tecnologia, capital humano, eficiência e inovação.

Essa é, em essência, a armadilha da renda média.

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Baixa produtividade, crescimento potencial fraco, deterioração fiscal, prêmio de risco elevado, juros altos e baixo investimento formam um ciclo que se retroalimenta.


Os juros altos são parte da armadilha — não a causa única

No Brasil, frequentemente tratamos a Selic como se ela fosse a doença.

Não é.

Em 2026, o Banco Central trabalhava em suas projeções com uma taxa real neutra próxima de 5% ao ano (BCB, 2026).

Esse número é mais importante do que parece.

A taxa neutra representa, simplificadamente, o nível real de juros compatível com uma economia funcionando próximo do equilíbrio, sem estímulo nem contração monetária excessiva.

Se mesmo nessa situação o Brasil necessita de juros reais próximos de 5%, nosso problema é estrutural.

A economia exige uma remuneração elevada do capital porque convivemos com uma combinação de incerteza fiscal, baixa poupança pública, memória inflacionária, indexação, expectativas voláteis, intermediação financeira cara, insegurança jurídica e baixo crescimento da produtividade.

Os próprios juros elevados agravam o problema.

Aumentam o serviço da dívida pública.

Desestimulam investimentos privados.

Elevam a taxa mínima de retorno exigida para novos projetos.

Tornam infraestrutura e inovação mais caras.

E tornam aplicações financeiras de curto prazo relativamente mais atraentes que investimentos produtivos de longo prazo.

Forma-se, assim, uma armadilha:

baixa produtividade → baixo crescimento potencial → fragilidade fiscal → maior prêmio de risco → juros elevados → menor investimento → baixa produtividade.

Existe ainda um segundo circuito:

gastos públicos rígidos → baixa poupança pública → dívida elevada → maior despesa com juros → menos espaço para investimento público → menor crescimento → dinâmica fiscal ainda mais difícil.

Romper esses dois ciclos deveria ser uma das prioridades centrais do governo que assumir em 2027.


O primeiro objetivo não é baixar a Selic

O próximo presidente não deveria prometer uma determinada taxa Selic.

Deveria prometer algo mais importante:

criar as condições para que o Brasil não precise mais de juros extraordinariamente altos.

A diferença é fundamental.

O Brasil já tentou várias vezes estimular o crescimento aumentando a demanda antes de ampliar sua capacidade de produzir.

O resultado costuma ser previsível: inflação, pressão cambial, deterioração das expectativas e, finalmente, juros novamente mais altos.

A sequência precisa ser invertida.

Primeiro, confiança.

Depois, investimento.

Depois, produtividade.

E então mais crescimento pode ocorrer sem produzir os mesmos desequilíbrios.

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Disciplina fiscal → menor risco → juros estruturalmente menores → mais investimento → mais produtividade → mais renda e crescimento.

Juros menores não deveriam ser o ponto de partida.

Deveriam ser o resultado de uma estratégia correta.


2027–2030: construir credibilidade

Os primeiros anos do próximo governo deveriam concentrar capital político em poucas reformas de grande impacto.

A primeira tarefa não é simplesmente “fazer austeridade”.

É produzir previsibilidade.

O país precisa demonstrar que a dívida pública irá primeiro estabilizar e depois começar a cair em relação ao PIB. No cenário do FMI para 2026, a dívida bruta, pela metodologia internacionalmente comparável da instituição, aproximava-se de 98% do PIB e continuaria crescendo na ausência de medidas adicionais (IMF, 2026).

Isso exige um horizonte fiscal de dez anos, não apenas metas anuais sujeitas a renegociação permanente.

Mas o ajuste deve privilegiar a qualidade do gasto.

Programas públicos deveriam ser avaliados de maneira contínua. Políticas eficazes em pobreza, infância, saúde e igualdade de oportunidades devem ser preservadas. Privilégios, subsídios ineficientes, benefícios mal direcionados e despesas de baixa efetividade devem ser reduzidos.

Também precisamos parar de resolver crises fiscais sacrificando investimento.

Rodovias, ferrovias, portos, saneamento, energia, escolas e infraestrutura urbana não podem continuar sendo a variável de ajuste porque são politicamente mais fáceis de cortar que despesas obrigatórias.

O Estado brasileiro não precisa financiar tudo.

Precisa ser excelente em preparar projetos, regular concessões, estruturar PPPs e criar segurança suficiente para mobilizar capital privado de longo prazo.

A reforma tributária aprovada em 2023 também precisa ser protegida durante sua implementação.

Quanto mais exceções, regimes especiais e privilégios forem introduzidos, menor será seu potencial de simplificação e produtividade.

E política fiscal e política monetária precisam trabalhar na mesma direção.

Não faz sentido o Banco Central tentar reduzir a demanda enquanto políticas fiscais ou parafiscais fazem simultaneamente o contrário.

Coordenação não significa retirar a independência do Banco Central.

Significa impedir que uma política pública neutralize a outra.

Finalmente, reduzir a Selic não basta para baratear o crédito de empresas e famílias.

O Brasil precisa continuar ampliando competição bancária, Open Finance, portabilidade, qualidade das informações de crédito, recuperação de garantias, eficiência das falências, securitização e acesso ao mercado de capitais.

O objetivo deveria ser simples:

um empresário com um bom projeto deve conseguir capital porque seu projeto é bom — não porque conseguiu acesso privilegiado a crédito subsidiado.


2030–2036: transformar estabilidade em produtividade

Um país fiscalmente estável e com juros menores pode, ainda assim, permanecer de renda média para sempre.

A segunda etapa precisa converter estabilidade macroeconômica em produtividade.

O Banco Mundial descreve a transição das economias de renda média alta como uma combinação progressiva de investimento, absorção de tecnologias existentes e inovação — a estratégia dos “3 i’s” (World Bank, 2024).

Essa ideia é especialmente relevante para o Brasil.

Falamos muito de inovação, mas frequentemente antes de resolver dois problemas anteriores: investir mais e utilizar melhor as tecnologias que já existem.

Para muitas empresas brasileiras, o maior salto de produtividade na próxima década não virá da invenção de uma tecnologia inédita.

Virá da adoção de melhores máquinas, software, inteligência artificial, logística, gestão, automação e processos produtivos já disponíveis.

O Brasil investe pouco para um país que pretende convergir com economias avançadas. Uma ambição razoável seria elevar o investimento total, hoje próximo de 17–19% do PIB, para algo em torno de 22–25% do PIB ao longo do tempo.

Isso deveria vir principalmente de empresas privadas, concessões, mercados de capitais, fundos de pensão, investimento estrangeiro e lucros reinvestidos — e não de uma expansão indiscriminada do investimento estatal.

A abertura econômica também precisa fazer parte dessa estratégia.

Não proponho uma liberalização abrupta.

Proponho uma abertura inteligente e progressiva.

Primeiro, baratear a importação de máquinas, equipamentos, componentes e tecnologia que tornem nossas próprias empresas mais produtivas.

Depois, ampliar acordos comerciais e a integração às cadeias globais.

Por fim, aumentar gradualmente a concorrência nos mercados finais.

Proteção temporária pode ajudar uma indústria a nascer.

Proteção permanente frequentemente ajuda apenas um lobby a sobreviver.

O investimento estrangeiro também deveria ser avaliado não somente pelos dólares que traz ao país, mas pela tecnologia, gestão, engenharia, fornecedores, pesquisa e capacidade exportadora que deixa no Brasil.

E educação precisa tornar-se, explicitamente, uma política de produtividade.

Já avançamos muito na matrícula escolar.

Ainda não avançamos o suficiente no aprendizado.

A métrica deveria mudar de “quanto gastamos?” para “quanto nossas crianças aprenderam?”

Primeira infância, alfabetização, matemática, ciência, professores eficazes e formação técnica de qualidade terão retorno econômico extraordinário.

Ao mesmo tempo, formalizar trabalhadores e empresas deve ser economicamente vantajoso.

Empresas informais tendem a permanecer pequenas, investir menos, treinar menos seus trabalhadores, acessar menos crédito e adotar tecnologia mais lentamente.

Simplificar a formalidade é, portanto, política de produtividade.


Uma nova política industrial

O Brasil não precisa abandonar a política industrial.

Precisa abandonar a má política industrial.

O modelo antigo frequentemente seguia uma fórmula conhecida: escolher um setor, protegê-lo da competição, oferecer crédito subsidiado e manter o apoio muito depois de desaparecer a justificativa inicial.

Uma política industrial moderna precisa ser diferente.

O apoio público deve atacar falhas de mercado identificáveis e ser temporário, competitivo, transparente e mensurável.

O Brasil tem oportunidades reais em agricultura avançada, biotecnologia, saúde, aeroespacial, combustíveis sustentáveis, minerais críticos, materiais de baixo carbono, serviços financeiros digitais, inteligência artificial e bioeconomia.

Também possui uma vantagem extraordinária na transição energética.

Poucas grandes economias combinam hidreletricidade, eólica, solar, biocombustíveis, agricultura, florestas, minerais críticos e capacidade de produção industrial de baixo carbono.

Mas exportar commodities não basta.

O objetivo deve ser subir na cadeia de valor.

Não apenas minério, mas materiais avançados.

Não apenas agricultura, mas biotecnologia, máquinas, software e propriedade intelectual.

Não apenas biodiversidade, mas bioeconomia.

Recursos naturais criam oportunidades. Tecnologia determina quanto valor permanece no país.


2035–2075: preparar um país rico antes que ele se torne velho

O maior erro estratégico seria tratar o envelhecimento como problema de futuros governos.

Quando suas consequências fiscais estiverem plenamente instaladas, muitas das soluções já precisarão estar funcionando há décadas.

A Previdência terá de se adaptar progressivamente à longevidade.

Ao longo do tempo, mecanismos automáticos podem reduzir a necessidade de reformas traumáticas a cada dez ou quinze anos.

A queda da fecundidade também cria uma oportunidade.

Teremos menos crianças para educar.

A resposta não deveria ser simplesmente gastar menos.

Deveria ser educar muito melhor cada criança.

Melhores professores, escolas em tempo integral, ensino personalizado, educação técnica moderna e maior investimento por aluno podem transformar o declínio demográfico em um dividendo de capital humano.

Ao mesmo tempo, vidas mais longas precisarão ser também vidas produtivas mais longas.

Treinamento ao longo da vida, trabalho flexível, prevenção em saúde, aposentadoria gradual e ambientes adequados para trabalhadores mais velhos deixarão de ser apenas políticas sociais.

Serão políticas econômicas.

A imigração qualificada também poderá fazer parte dessa estratégia à medida que a população em idade ativa começar a diminuir.

E o Brasil precisará finalmente passar de grande adotante de tecnologia para também ser criador de tecnologia.

Já temos ilhas de excelência mundial em agricultura, aeroespacial, petróleo em águas profundas, biomedicina, finanças digitais e energia.

O desafio é fazer essas ilhas se conectarem ao restante da economia.

A produtividade de um país não depende apenas de seus melhores laboratórios.

Depende da tecnologia utilizada pela empresa, escola, hospital, prefeitura e trabalhador medianos.

A inteligência artificial pode acelerar extraordinariamente esse processo — em saúde, educação, agricultura, indústria, Justiça, logística e administração pública.

Mas tecnologia é um multiplicador.

Ela multiplica instituições e capital humano fortes muito melhor do que instituições e capital humano fracos.


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2027–2030: Credibilidade 2030–2036: Produtividade 2035–2075: Convergência

A sequência importa.


O que seria sucesso?

Nenhum governo deveria prometer números econômicos precisos para 2050 ou 2075.

Mas o Brasil precisa saber em que direção pretende caminhar.

Em dez ou quinze anos, sucesso significaria uma dívida pública claramente declinante em relação ao PIB, poupança pública persistente em lugar de despoupança pública crônica, juros reais estruturalmente menores, investimento significativamente maior, infraestrutura adequada, menor informalidade, melhores resultados educacionais, mercados de capitais mais profundos e integração muito maior à economia mundial.

Mais importante: salários reais deveriam subir principalmente porque a produtividade está aumentando, e não porque o consumo foi temporariamente estimulado.

O Brasil não precisa crescer 8% ao ano.

Precisa de algo muito mais poderoso:

vinte ou trinta anos de crescimento razoavelmente elevado, estável e sustentado pela produtividade.

A composição faz o resto.


O projeto para o século XXI

O Plano Real demonstrou que problemas considerados permanentes podem ser resolvidos quando instituições mudam.

Durante décadas, a inflação parecia fazer parte da natureza da economia brasileira.

Não fazia.

As instituições mudaram, e a hiperinflação desapareceu.

Precisamos da mesma mudança intelectual agora.

Juros altos não são uma característica inevitável do Brasil.

Baixa produtividade não é destino.

Instabilidade fiscal não é uma condição cultural.

Infraestrutura ruim não é inevitável.

Educação de baixa qualidade não precisa ser permanente.

Mas nenhum desses problemas desaparecerá por decreto.

A sequência é relativamente simples, embora sua execução seja difícil:

credibilidade fiscal reduz o risco; menor risco reduz o custo de capital; menor custo de capital estimula o investimento; infraestrutura, educação, competição e abertura aumentam a produtividade; produtividade aumenta salários e crescimento; crescimento melhora as contas públicas; contas públicas melhores reduzem novamente o risco.

Nesse ponto, o Brasil deixa um círculo vicioso e entra em um círculo virtuoso.

Esse deveria ser um projeto econômico capaz de ultrapassar a eleição de 2026.

Não se trata de escolher entre direita e esquerda.

Nem simplesmente entre Estado e mercado.

Nem entre responsabilidade fiscal e crescimento.

A verdadeira escolha é entre dois equilíbrios econômicos.

Um deles preserva a conhecida combinação de baixa poupança pública, juros elevados, pouco investimento, produtividade modesta e conflitos permanentes sobre como dividir uma renda que cresce pouco.

O outro utiliza instituições confiáveis para mobilizar poupança, reduzir o custo de capital, ampliar investimentos, difundir tecnologia e aproximar trabalhadores e empresas brasileiras da fronteira mundial de produtividade.

O primeiro pode continuar por décadas.

O segundo é o caminho para o Brasil reivindicar seu lugar no século XXI.


Versão completa e citável

Este texto é uma versão adaptada para leitura no LinkedIn do ensaio completo, disponível em português e inglês, com as três figuras em alta resolução.

DOI: 10.5281/zenodo.22071560

https://doi.org/10.5281/zenodo.22071560

Comentários, críticas e contrapontos são muito bem-vindos. A intenção deste ensaio não é oferecer uma plataforma partidária, mas contribuir para uma discussão de longo prazo sobre aquilo que deveria sobreviver a qualquer governo: como transformar produtividade em um verdadeiro projeto nacional.

Autor :

Jose Krieger

Professor at Heart Institute (InCor)/Univ Sao Paulo Med Sch

e-mail : [email protected]

Referências principais

Banco Central do Brasil (BCB). Relatório de Política Monetária. 2026. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeções da População do Brasil e Unidades da Federação, 2000–2070. 2024. International Monetary Fund (IMF). Brazil: 2024 Article IV Consultation. 2024. International Monetary Fund (IMF). Brazil: 2026 Article IV Consultation. 2026. OECD. OECD Economic Surveys: Brazil 2023. 2023. OECD. Scaling-up Infrastructure Investment to Strengthen Sustainable Development in Brazil. 2024. World Bank. World Development Report 2024: The Middle-Income Trap. 2024.