1. Contexto ampliado

O debate recente sobre acordos envolvendo minerais críticos ocorre em um momento particularmente sensível:

👉 O Brasil já é um fornecedor relevante de minerais estratégicos, mas continua operando sob lógica primário-exportadora.

Dados recentes indicam que:

  • as exportações brasileiras de terras raras para a China cresceram significativamente em 2025 (com relatos de forte expansão de volume)
  • esse fluxo ocorre sem política estruturada, sem agregação de valor e sem estratégia nacional clara

👉 Ou seja:
o problema não é o acordo — é a ausência de estratégia


2. Dimensão quantitativa: o paradoxo brasileiro

Segundo dados do USGS, o Brasil detém cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras — aproximadamente 23% das reservas globais, ficando atrás apenas da China.

Ainda assim:

👉 a produção brasileira é praticamente irrelevante, inferior a 1% do total mundial


Esse descompasso revela um problema estrutural:

👉 o país possui recursos estratégicos, mas não os converte em capacidade produtiva.


Soma-se a isso o fato de que:

  • grande parte do território brasileiro permanece subexplorada do ponto de vista geológico
  • há indícios consistentes de que o potencial mineral real seja significativamente superior às reservas atualmente conhecidas

👉 Em outras palavras:

o Brasil não apenas explora pouco — conhece pouco do que possui


3. O paradoxo brasileiro

O Brasil vive hoje um paradoxo clássico:

🔹 Possui:

  • uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo
  • relevância crescente na transição energética global

🔹 Mas opera como:

  • exportador de matéria-prima
  • dependente de processamento externo
  • agente passivo nas cadeias globais

👉 Enquanto isso:

  • China domina o processamento global
  • Estados Unidos busca diversificar fornecedores
  • Índia emerge como novo ator estratégico

4. O erro recorrente: bilateralismo sem estratégia

A crítica recorrente é precisa:

👉 O Brasil não sofre por falta de acordos — sofre por falta de coordenação estratégica

Hoje temos:

  • fluxos comerciais relevantes com a China (sem política industrial associada)
  • acordos de cooperação tecnológica amplos, mas não focados em terras raras
  • iniciativas recentes com a Índia
  • tentativas de aproximação com os EUA

👉 Resultado:

atua com todos — mas sem direcionamento estratégico com nenhum


5. A falha estrutural: ausência da tríplice hélice

Outro ponto central:

👉 Sem integração entre:

  • universidades
  • mercado
  • governo

➡️ não há cadeia produtiva avançada


Esse modelo — conhecido como tríplice hélice — sustenta:

  • o domínio tecnológico da China
  • a capacidade de inovação dos EUA
  • a aceleração industrial da Índia

👉 No Brasil:

  • universidades produzem conhecimento
  • empresas operam isoladamente
  • governo regula de forma fragmentada

➡️ Resultado: baixo impacto sistêmico


6. O verdadeiro risco

O risco real não está em um acordo específico.

👉 Está em:

⚠️ Exportar sem valor agregado

⚠️ Não dominar o processamento

⚠️ Não desenvolver tecnologia própria

⚠️ Não coordenar política industrial


7. Oportunidade estratégica: jogar com todos — com inteligência

👉 O Brasil deve atuar de forma multivetorial:

  • EUA → tecnologia e mercado
  • China → escala industrial
  • Índia → parceria emergente

👉 O problema não é a diversidade de parceiros
👉 O problema é a ausência de direção estratégica


8. Propostas do IVEPESP

📌 1. Política Nacional de Minerais Críticos

📌 2. Programa de Industrialização Mineral

📌 3. Estratégia de Parcerias Multivetoriais

📌 4. Implementação da Tríplice Hélice

📌 5. Governança de Dados Minerais


9. Conclusão

O Brasil não está sendo explorado por acordos específicos.

👉 Está sendo limitado por sua própria ausência de estratégia.


👉 A escolha é clara:

  • ou lidera a cadeia global de minerais críticos
  • ou continuará sendo fornecedor de base

Assinatura

Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
e-mail: [email protected]