São Paulo, 20 de fevereiro de 2026

O Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP), em consonância com posicionamentos institucionais recentes sobre produtividade, inovação e qualidade da educação, destaca a relevância estratégica do estudo do Banco Mundial que projeta a contribuição do capital humano ao crescimento econômico até 2100.

A nova evidência internacional reforça diagnósticos já reiterados pelo IVEPESP:
o desenvolvimento sustentável depende diretamente da qualidade da educação, da saúde e da capacidade de transformar conhecimento em produtividade.


1. Uma agenda já reconhecida pelo IVEPESP

O estudo confirma premissas presentes em diversas notas institucionais do IVEPESP:

  • O Brasil forma talentos, mas não os transforma plenamente em produtividade.
  • A baixa qualidade média do aprendizado limita ganhos econômicos.
  • O país ainda enfrenta descontinuidade de políticas educacionais e científicas.
  • A ausência de visão estratégica faz com que o Brasil frequentemente chegue atrasado a ciclos tecnológicos.

Esse padrão foi destacado em manifestações do Instituto sobre:

  • a crise de produtividade brasileira
  • a necessidade de fortalecimento do ensino técnico (Etecs e Fatecs)
  • o papel da inteligência artificial na educação
  • o atraso na proteção de ativos tecnológicos e científicos
  • a desconexão entre formação e demanda produtiva

2. Capital humano como infraestrutura invisível

O estudo do Banco Mundial reafirma que capital humano explica parcela significativa das diferenças de renda entre países e constitui um ativo comparável à infraestrutura física.

Essa leitura converge com a posição do IVEPESP de que:
👉 educação não é apenas política social
👉 é política econômica, industrial e tecnológica

Sem base educacional sólida, não há:

  • inovação sustentável
  • transformação digital consistente
  • produtividade sistêmica

3. O risco do “dividendo educacional esgotado”

Uma das conclusões mais relevantes do estudo é o risco de desaceleração do crescimento do capital humano nas próximas décadas sem novas reformas.

Esse diagnóstico dialoga diretamente com alertas do IVEPESP sobre:

  • estagnação do aprendizado
  • perda de dinamismo produtivo
  • envelhecimento populacional sem ganhos proporcionais de qualificação

O Brasil corre o risco de entrar em uma armadilha de renda média baseada em:

  • baixa produtividade
  • expansão educacional sem qualidade
  • inovação limitada

4. A centralidade da qualidade educacional

O estudo mostra que anos de escolaridade sem qualidade produzem ganhos limitados.
Esse ponto é convergente com notas do IVEPESP sobre:

  • resultados do PISA e avaliações nacionais
  • formação de professores
  • importância da aprendizagem efetiva e não apenas da matrícula
  • desigualdades regionais de desempenho

A evidência reforça que o desafio brasileiro não é apenas expandir acesso, mas garantir aprendizagem relevante.


5. Convergência com a agenda de ensino técnico e inovação

Notas recentes do IVEPESP destacaram o desempenho das Etecs e Fatecs como exemplo de educação alinhada à produtividade.

O estudo internacional reforça essa agenda ao demonstrar que:

  • ganhos educacionais aplicados à economia geram crescimento persistente
  • sistemas educacionais conectados à tecnologia e ao trabalho ampliam o capital humano
  • a formação técnica e tecnológica acelera a difusão da inovação

6. Inteligência artificial e produtividade do capital humano

Outra convergência relevante com posicionamentos do IVEPESP refere-se ao papel da inteligência artificial.

A IA:

  • amplia a produtividade individual
  • acelera a aprendizagem
  • reduz custos de formação
  • potencializa a tomada de decisão

Mas seus benefícios dependem de capital humano prévio.
Sem base educacional adequada, a IA pode ampliar desigualdades em vez de reduzi-las.


7. Implicações estratégicas para o Brasil

A convergência entre evidências internacionais e posicionamentos do IVEPESP aponta para prioridades claras:

🔹 Educação básica com foco em aprendizagem

🔹 Formação docente como política de Estado

🔹 Expansão e valorização do ensino técnico e tecnológico

🔹 Integração entre educação, saúde e produtividade

🔹 Uso estratégico da IA na educação

🔹 Continuidade de políticas educacionais intergeracionais

🔹 Fortalecimento da conexão entre universidades, empresas e inovação


8. Conclusão

O estudo do Banco Mundial reforça um diagnóstico já presente nas reflexões do IVEPESP:
o futuro do crescimento econômico será determinado pela capacidade dos países de investir de forma consistente em capital humano.

Para o Brasil, isso implica superar ciclos de curto prazo e construir uma estratégia de Estado que conecte educação, ciência, tecnologia e produtividade.

Mais do que uma agenda educacional, trata-se de uma agenda civilizatória e de desenvolvimento nacional.


Assinatura institucional

Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
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