1. Introdução

O Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo – IVEPESP acompanha com atenção as alterações promovidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP nas normas da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior – BEPE, com vigência a partir de 1º de setembro de 2026.

Pelas novas regras, a BEPE regular passa a destinar-se aos bolsistas FAPESP de Doutorado Direto, Doutorado e Pós-Doutorado, deixando de contemplar, nessa modalidade específica, estudantes de Iniciação Científica e Mestrado.

Para as modalidades mantidas, a solicitação regular passa a ser de seis meses, admitindo-se, em condições excepcionais e mediante justificativa, prorrogação por mais seis meses. A FAPESP mantém ainda a possibilidade de utilização da Reserva Técnica de Bolsas no País para custear estágio de até seis meses no exterior, sem interrupção da bolsa. (FAPESP)

As mudanças naturalmente despertaram preocupações no meio acadêmico, especialmente porque a internacionalização tornou-se componente relevante da formação de pesquisadores e da competitividade científica.

Entretanto, após examinar os diferentes argumentos envolvidos, o IVEPESP considera que a discussão não deve ser reduzida à defesa ou à crítica da mobilidade internacional.

A questão fundamental é outra:

Qual é o retorno científico, acadêmico, tecnológico e institucional produzido pelos recursos investidos na BEPE em cada etapa da formação?

Essa pergunta deve orientar o debate.


2. O que efetivamente mudou

No modelo anterior, a Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior contemplava bolsistas FAPESP de:

  • Iniciação Científica;
  • Mestrado;
  • Doutorado Direto;
  • Doutorado;
  • Pós-Doutorado.

A Iniciação Científica podia realizar estágio de até quatro meses, enquanto Doutorado Direto, Doutorado e Pós-Doutorado podiam chegar a doze meses. (FAPESP)

A partir de 1º de setembro de 2026, as normas regulares passam a prever somente:

  • Doutorado Direto;
  • Doutorado;
  • Pós-Doutorado.

A duração regular passa a ser de seis meses, podendo existir prorrogação excepcional por outros seis meses. (FAPESP)

A alteração é, portanto, relevante.

Mas é importante empregar a terminologia correta.

Ela não significa o encerramento da internacionalização promovida pela FAPESP, que continua mantendo numerosos acordos, chamadas internacionais, intercâmbios e outras formas de cooperação.

Representa, mais precisamente, uma restrição de acesso à modalidade regular BEPE e uma reorganização do seu desenho.

Essa distinção é importante para que a discussão permaneça tecnicamente precisa.


3. A dimensão financeira da BEPE

A preocupação com o custo da mobilidade internacional é legítima.

Os dados publicados pela própria FAPESP mostram que a BEPE representa investimento significativo.

Em 2024, os desembolsos relativos às Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior não vinculadas a auxílios alcançaram aproximadamente R$ 93,4 milhões.

A distribuição foi:

ModalidadeDesembolso em 2024
BEPE – Iniciação CientíficaR$ 5,18 milhões
BEPE – MestradoR$ 8,66 milhões
BEPE – DoutoradoR$ 35,95 milhões
BEPE – Doutorado DiretoR$ 10,19 milhões
BEPE – Pós-DoutoradoR$ 33,41 milhões
TotalR$ 93,40 milhões

Somadas, Iniciação Científica e Mestrado representaram aproximadamente R$ 13,84 milhões, equivalentes a cerca de 14,8% do desembolso da BEPE naquele ano.

Ao mesmo tempo, das 660 novas contratações BEPE realizadas em 2024, 125 foram classificadas como IC e 117 como Mestrado, totalizando 242 contratações, ou aproximadamente 36,7% das novas concessões.

Há, portanto, uma característica interessante:

IC e Mestrado representavam parcela expressiva do número de beneficiários, mas participação proporcionalmente menor nos desembolsos, coerente com períodos de permanência e valores de bolsa inferiores aos das etapas mais avançadas.

Isso não demonstra, por si só, que essas modalidades devam ser mantidas.

Mas demonstra que a análise precisa ir além do valor absoluto gasto.


4. A pergunta não pode ser apenas “quanto custa?”

Enviar pesquisadores ao exterior envolve custos elevados.

Além da mensalidade, a mobilidade internacional pode envolver transporte, seguro, instalação e outros benefícios necessários à permanência do pesquisador.

É perfeitamente legítimo perguntar se esse dinheiro poderia produzir resultados superiores se aplicado de outra maneira.

Mas a avaliação de uma política pública não pode se limitar à pergunta:

“Quanto custa?”

É necessário acrescentar:

“O que esse investimento produz?”

Um programa relativamente barato pode representar utilização ineficiente de recursos se produzir pouco impacto.

Da mesma maneira, um programa caro pode representar excelente investimento se resultar em:

  • formação de pesquisadores altamente qualificados;
  • aquisição de técnicas inexistentes no Brasil;
  • acesso a equipamentos e laboratórios de excelência;
  • publicações de maior impacto;
  • redes permanentes de colaboração;
  • participação em projetos internacionais;
  • transferência de conhecimento;
  • inovação e patentes;
  • atração futura de investimentos e projetos;
  • criação de novas linhas de pesquisa no Estado de São Paulo.

A variável relevante é, portanto, a relação entre:

custo e resultado.


5. O que podemos aprender com o Ciência sem Fronteiras

A experiência brasileira do programa Ciência sem Fronteiras deve ser considerada nesse debate, mas com cautela.

O programa ampliou de maneira extraordinária a mobilidade internacional brasileira, particularmente na graduação.

Avaliações posteriores apontaram tanto benefícios quanto limitações importantes, especialmente relacionadas ao desenho, acompanhamento e capacidade de medir adequadamente os impactos do programa. Estudos acadêmicos destacaram inclusive dificuldades para estabelecer conclusões completas sobre seu custo-benefício. (Biblioteca Digital)

Essa experiência oferece uma lição relevante:

programas de mobilidade internacional devem possuir objetivos mensuráveis e mecanismos de avaliação desde sua concepção.

Entretanto, seria metodologicamente inadequado simplesmente transferir as conclusões do Ciência sem Fronteiras para a BEPE.

São programas de características muito diferentes.

A BEPE é vinculada a projetos de pesquisa avaliados pela FAPESP, exige inserção em grupo estrangeiro de reconhecida liderança internacional e está associada à pesquisa desenvolvida pelo bolsista no Estado de São Paulo. (FAPESP)

Portanto, a experiência do Ciência sem Fronteiras deve estimular a avaliação da BEPE, e não funcionar como argumento suficiente para concluir antecipadamente se ela produz ou não resultados compatíveis com seu custo.


6. A própria FAPESP possui experiência em avaliação de impacto

Esse tipo de estudo está plenamente alinhado à tradição institucional da FAPESP.

A Fundação mantém uma área específica de Avaliação de Programas e já realizou avaliações de diferentes instrumentos, incluindo bolsas de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado e acordos de cooperação internacional. (FAPESP)

Em estudo publicado em 2019, foram avaliados processos de candidatos às bolsas de IC, Mestrado e Doutorado entre 2003 e 2017, buscando identificar efeitos sobre produção científica e tecnológica e trajetória profissional. (FAPESP)

A existência dessa capacidade institucional constitui uma excelente oportunidade.

Na documentação pública consultada pelo IVEPESP, entretanto, não foi identificada uma avaliação específica capaz de responder de maneira direta à seguinte questão:

qual é o impacto incremental da realização de uma BEPE na trajetória de um pesquisador?

Esse é o estudo que poderia iluminar decisivamente a discussão atual.


7. A comparação correta

Não seria suficiente comparar simplesmente a produção dos pesquisadores que realizaram BEPE com a média dos pesquisadores brasileiros.

Os estudantes selecionados pela FAPESP já constituem um grupo academicamente diferenciado.

Da mesma maneira, candidatos aprovados para um estágio internacional provavelmente possuem características acadêmicas superiores às da população média de estudantes.

Para estimar o efeito real da BEPE, seria necessário construir grupos comparáveis.

Por exemplo:

bolsistas FAPESP de IC que realizaram BEPE

versus

bolsistas FAPESP de IC com características acadêmicas semelhantes que não realizaram BEPE.

O mesmo poderia ser realizado para Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado.

Técnicas estatísticas de avaliação de políticas públicas permitiriam controlar diferenças observáveis entre os grupos e aproximar a análise de uma pergunta contrafactual:

o que provavelmente teria ocorrido com aquele pesquisador caso ele não tivesse realizado o estágio internacional?

Essa metodologia produziria informação muito mais relevante para a tomada de decisão.


8. O que deveria ser medido

Uma avaliação de impacto da BEPE poderia considerar, entre outros indicadores:

  1. produção científica após o estágio;
  2. impacto e qualidade das publicações;
  3. publicações em coautoria internacional;
  4. permanência das redes internacionais criadas;
  5. continuidade da carreira acadêmica;
  6. progressão de IC para Mestrado e Doutorado;
  7. tempo de conclusão da formação;
  8. ingresso posterior em Pós-Doutorado;
  9. participação em projetos internacionais;
  10. atração de recursos externos;
  11. novas metodologias introduzidas no grupo brasileiro;
  12. acesso a equipamentos ou infraestrutura inexistentes localmente;
  13. transferência de tecnologia;
  14. propriedade intelectual e patentes, quando pertinentes;
  15. criação de novas linhas de pesquisa;
  16. formação de novas equipes ou redes científicas;
  17. impacto sobre a instituição paulista de origem;
  18. diferenças entre áreas do conhecimento;
  19. diferenças entre países e instituições de destino;
  20. diferenças entre estágios de curta, média e longa duração;
  21. custo efetivo médio por modalidade;
  22. custo por resultado adicional obtido.

Naturalmente, diferentes etapas de formação precisam ser avaliadas por critérios diferentes.

Na Iniciação Científica, por exemplo, talvez o melhor indicador não seja uma publicação imediata, mas a permanência na ciência, o ingresso na pós-graduação ou a criação precoce de redes internacionais.

No Pós-Doutorado, produção científica, redes internacionais e novas linhas de investigação podem ter maior peso.


9. Internacionalização não deve ser dogma

O IVEPESP considera importante reconhecer que a internacionalização da pesquisa possui grande valor, mas não deve ser tratada como um objetivo independente de resultados.

Não se deve enviar estudantes ao exterior simplesmente porque a experiência internacional é considerada desejável.

O estágio deve possuir:

  • justificativa científica;
  • grupo anfitrião adequado;
  • projeto definido;
  • resultados esperados;
  • mecanismos de acompanhamento;
  • estratégia de transferência do conhecimento adquirido para a instituição de origem.

Em determinados casos, talvez recursos destinados a uma mobilidade internacional produzam retorno menor do que investimentos em equipamentos, bolsas no país, laboratórios ou grandes projetos colaborativos.

Em outros casos, alguns meses em um centro internacional de excelência podem transformar toda a trajetória de um jovem pesquisador.

A política de fomento deve ser suficientemente sofisticada para distinguir essas situações.


10. Não existem apenas duas alternativas

A discussão não precisa ser colocada entre:

“manter integralmente o modelo anterior”

e

“eliminar IC e Mestrado da BEPE”.

Existem alternativas intermediárias.

Se uma avaliação mostrar que determinadas experiências apresentam excelente retorno, poderia existir uma BEPE altamente seletiva para jovens pesquisadores.

Por exemplo:

  • modalidade curta de dois a três meses para IC;
  • modalidade de três a seis meses para Mestrado;
  • seleção baseada na singularidade da oportunidade internacional;
  • exigência de instituição anfitriã de elevada excelência;
  • objetivos científicos mensuráveis;
  • acompanhamento posterior dos resultados.

Da mesma maneira, uma avaliação pode demonstrar que seis meses são suficientes para determinadas modalidades e áreas, enquanto outras atividades científicas justificariam até doze meses.

O desenho deveria, idealmente, acompanhar a natureza da pesquisa e as evidências de impacto.


11. Autonomia da FAPESP e a necessidade de preservar o debate técnico

Existe ainda um aspecto especialmente importante no momento atual.

A discussão ocorre em ano eleitoral.

Em períodos dessa natureza, decisões administrativas e de política pública podem rapidamente adquirir interpretações político-partidárias.

O IVEPESP considera essencial separar duas questões.

Uma é plenamente legítima:

questionar os fundamentos, custos, objetivos e impactos das novas regras da BEPE.

Outra é atribuir a decisão à interferência político-eleitoral do Governo do Estado sem evidências que sustentem essa afirmação.

A Constituição do Estado de São Paulo estabelece, em seu artigo 271, que o Estado destinará à FAPESP o mínimo de 1% de sua receita tributária, como renda de sua privativa administração, para aplicação em desenvolvimento científico e tecnológico. (Alesp)

Essa estrutura de financiamento constituiu uma das bases da estabilidade institucional da Fundação.

A FAPESP possui ainda governança própria composta por Conselho Superior e Conselho Técnico-Administrativo.

O Conselho Superior possui 12 membros. Seis são de livre escolha do governador do Estado e seis são indicados pelo governador a partir de listas tríplices eleitas pelas universidades e instituições de ensino e pesquisa paulistas.

O Conselho Técnico-Administrativo, que constitui a diretoria executiva da Fundação, é formado pelo diretor-presidente, diretor científico e diretor administrativo, indicados pelo governador a partir de listas tríplices elaboradas pelo Conselho Superior. (FAPESP)

Portanto, é necessário reconhecer duas características simultaneamente.

A FAPESP possui expressiva autonomia institucional e administrativa.

Mas:

autonomia não significa ausência completa de relação institucional com o Poder Executivo.

A própria legislação prevê participação do governador em nomeações de sua estrutura de governança.

Isso torna ainda mais importante evitar simplificações.

Até a elaboração desta Nota Técnica, não foi localizada, nas fontes públicas examinadas pelo IVEPESP, documentação que demonstre que a reformulação da BEPE tenha resultado de determinação ou interferência direta do governador do Estado.

Consequentemente, não seria correto apresentar essa hipótese como fato.


12. A manifestação recente do governador

Em 28 de agosto de 2026, diante da repercussão das alterações e das manifestações da comunidade acadêmica, o governador Tarcísio de Freitas declarou publicamente que não haverá corte de bolsas da FAPESP e que os repasses à Fundação serão mantidos. (CNN Brasil)

A manifestação é relevante para afastar a interpretação de que esteja em curso um corte geral de financiamento à Fundação.

Entretanto, essa declaração política tampouco responde à questão técnica central da presente Nota:

quais estudos e evidências fundamentaram especificamente a reformulação da BEPE?

O IVEPESP considera que esse é o terreno adequado para o debate.


13. Defender a autonomia não significa deixar de avaliar decisões

A FAPESP constitui um patrimônio científico e institucional do Estado de São Paulo e do Brasil.

Sua reputação foi construída durante décadas por meio da:

  • estabilidade institucional;
  • avaliação por pares;
  • seleção baseada em mérito;
  • participação da comunidade científica;
  • capacidade de planejamento de longo prazo;
  • relativa proteção da política científica contra oscilações conjunturais.

Preservar essa autonomia é essencial.

Mas defender a autonomia da Fundação não significa considerar suas decisões imunes ao debate público ou à avaliação.

Significa exatamente o contrário.

Uma instituição científica deve ser especialmente aberta a uma discussão baseada em:

dados, método, evidências e resultados.

Nesse sentido, a publicação dos fundamentos e das análises que motivaram a reformulação da BEPE contribuiria simultaneamente para:

  • aumentar a transparência;
  • permitir avaliação pela comunidade científica;
  • aperfeiçoar a política;
  • afastar especulações de natureza político-eleitoral;
  • fortalecer a própria autonomia institucional da FAPESP.

14. Uma proposta concreta do IVEPESP

O IVEPESP sugere que a FAPESP considere realizar e tornar pública uma:

AVALIAÇÃO DE IMPACTO DA BOLSA ESTÁGIO DE PESQUISA NO EXTERIOR – BEPE

O estudo poderia compreender período suficientemente amplo para acompanhar a trajetória dos ex-bolsistas e utilizar informações já existentes nas bases da Fundação.

A análise poderia buscar responder:

A BEPE aumenta a produção científica dos pesquisadores beneficiados?

Amplia o impacto das publicações?

Produz colaborações internacionais duradouras?

A BEPE durante a IC aumenta a probabilidade de ingresso e permanência na carreira científica?

Qual é o efeito da BEPE durante o Mestrado?

Em quais áreas os resultados são maiores?

Existem diferenças relevantes entre instituições e países de destino?

Seis meses produzem impacto semelhante a doze meses?

Quais modalidades apresentam maior relação benefício/custo?

Em quais situações a mobilidade internacional apresenta pouco retorno?

Essas respostas seriam extremamente valiosas não apenas para a FAPESP.

Poderiam constituir referência para todo o sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.


15. Propostas do IVEPESP

Diante desse quadro, o IVEPESP propõe:

1. Avaliação específica do impacto da BEPE

Realização de estudo longitudinal e contrafactual por modalidade, área e duração do estágio.

2. Publicação dos fundamentos da reformulação

Divulgação dos dados e critérios utilizados na revisão das regras que entram em vigor em setembro de 2026.

3. Monitoramento das novas normas

Acompanhamento durante período determinado — por exemplo, 24 meses — para verificar efeitos sobre número de bolsistas, internacionalização e resultados científicos.

4. Comparação entre o modelo anterior e o novo

Avaliação de custo, número de beneficiários e resultados antes e depois da mudança.

5. Possibilidade futura de modalidades altamente seletivas para IC e Mestrado

Caso as evidências indiquem retorno elevado em determinados perfis de projeto.

6. Flexibilidade de duração baseada na natureza científica da pesquisa

Se os dados demonstrarem que determinados projetos efetivamente exigem períodos superiores a seis meses.

7. Preservação da autonomia institucional da FAPESP

Rejeitando tanto tentativas indevidas de interferência política quanto acusações de interferência que não estejam acompanhadas de evidências.

8. Transparência como instrumento de proteção institucional

Quanto mais claros forem os fundamentos técnicos da decisão, menor será o espaço para interpretações político-partidárias.


16. Conclusão

A discussão sobre a BEPE não deve ser reduzida a uma disputa entre defensores e críticos da internacionalização.

Também não deveria ser convertida em controvérsia eleitoral sem elementos que justifiquem essa interpretação.

A pergunta central é muito mais importante:

Qual é a melhor maneira de utilizar os recursos públicos disponíveis para formar pesquisadores de excelência e fortalecer a ciência paulista?

Se as evidências demonstrarem que determinadas modalidades de mobilidade internacional possuem baixo retorno em relação ao investimento, será legítimo revê-las.

Se demonstrarem que determinadas experiências internacionais produzem impacto científico, institucional e tecnológico elevado, será igualmente legítimo preservá-las ou aperfeiçoá-las.

A internacionalização não deve ser defendida como dogma.

Também não deve ser restringida apenas porque custa caro.

Deve ser avaliada.

Da mesma forma, a autonomia da FAPESP deve ser preservada.

Em período eleitoral, isso significa evitar dois extremos:

politizar sem evidências suas decisões

e

impedir que decisões técnicas sejam discutidas criticamente pela comunidade científica e pela sociedade.

A força institucional da FAPESP está justamente na possibilidade de realizar esse debate em outro nível.

Dados.

Evidências.

Avaliação.

Resultados.

A pergunta final, portanto, não deve ser:

“Devemos gastar mais ou menos enviando pesquisadores ao exterior?”

Mas sim:

“Como obter o maior impacto científico, tecnológico e institucional possível com cada real investido na internacionalização da pesquisa?”

Responder a essa pergunta com rigor pode transformar a atual controvérsia em uma oportunidade de aperfeiçoamento da política científica paulista.

E, ao mesmo tempo, fortalecer ainda mais uma instituição que é patrimônio da ciência brasileira: a FAPESP.


Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo
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