1. Uma nova legislatura, uma oportunidade para São Paulo

As eleições de 4 de outubro de 2026 definiram os 94 deputados estaduais que integrarão a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na próxima legislatura.

O início de uma nova legislatura representa oportunidade para colocar no centro do debate estadual uma agenda que ultrapasse divisões partidárias: educação de qualidade, formação de capital humano, pesquisa científica, inovação, inteligência artificial, desenvolvimento tecnológico e aumento da produtividade.

São Paulo reúne ativos excepcionais: USP, UNESP e UNICAMP; FAPESP; IPT; Centro Paula Souza; universidades federais; institutos de pesquisa; hospitais universitários; instituições privadas de ensino e pesquisa; parques tecnológicos; startups; empresas inovadoras e uma das maiores estruturas industriais da América Latina.

O desafio é transformar esses ativos em resultados ainda maiores para a sociedade.

O IVEPESP — Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo — entende que essa agenda deve ser construída de maneira institucional, plural e suprapartidária.

Não se trata de apoiar partidos ou governos. Trata-se de identificar convergências capazes de transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social.

2. Há uma base parlamentar sobre a qual construir

A legislatura que se encerra deixa experiências importantes.

A ALESP constituiu a Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação e sua Integração com o Mercado de Trabalho, coordenada pelo deputado Luiz Claudio Marcolino, tendo Donato e Thiago Auricchio como membros efetivos e parlamentares de diferentes correntes políticas entre seus apoiadores.

Também funcionou a Frente Parlamentar de Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Econômico, reunindo parlamentares de diferentes partidos.

Na área educacional, foi constituída em 2025 a Frente Parlamentar do Fórum Permanente de Estudos para Construção do Plano Nacional de Educação — PNE, Plano Estadual de Educação — PEE e Planos Municipais de Educação — PME, coordenada pela Professora Bebel.

Essas experiências demonstram que educação, ciência e inovação podem produzir convergência parlamentar mesmo em ambiente político polarizado.

3. Interlocutores para a próxima legislatura

A partir dos deputados eleitos e da atuação parlamentar já documentada, o IVEPESP identifica um conjunto inicial de interlocutores potenciais.

Entre eles estão:

Carlos Giannazi (PSOL) — possui atuação histórica diretamente vinculada à educação.

Professora Bebel (PT) — educação constitui eixo central de seu mandato; presidiu a Comissão de Educação e Cultura e coordenou a Frente relacionada ao PNE, PEE e PME.

Luiz Claudio Marcolino (PT) — coordenou a Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação e sua Integração com o Mercado de Trabalho.

Donato (PT) e Thiago Auricchio (PL) — participaram como membros efetivos dessa mesma Frente Parlamentar.

Também participaram ou apoiaram iniciativas parlamentares relacionadas a ciência, tecnologia e inovação nomes como Ana Perugini, Ediane Maria, Emídio de Souza, Enio Tatto, Itamar Borges, Luiz Fernando T. Ferreira, Monica das Pretas, Paulo Fiorilo, Rafael Saraiva, Rômulo Fernandes, Teonilio Barba e Thainara Faria.

Outros parlamentares apresentam áreas de atuação convergentes. Bruno Zambelli (PL) registra Ciência e Tecnologia entre suas áreas; Camila Godoi (União Brasil) tem atuação em educação; Caio França (PSB) relaciona educação, emprego e desenvolvimento regional; e Carlos Giannazi mantém educação como uma das áreas centrais de seu mandato.

A lista não deve ser interpretada como fechada.

Ao contrário: o IVEPESP deve manter interlocução aberta com todos os 94 deputados estaduais que demonstrem disposição para contribuir com educação, pesquisa, ciência, tecnologia e inovação.

4. Dez propostas para uma Agenda IVEPESP–ALESP 2027–2030

1. Criar uma Agenda Paulista de Capital Humano

São Paulo necessita tratar educação básica, ensino técnico, graduação, pós-graduação, pesquisa e qualificação profissional como partes de uma mesma política de desenvolvimento.

É preciso aproximar formação educacional das transformações demográficas, tecnológicas e produtivas.

2. Fortalecer a educação básica com base em evidências

Priorizar alfabetização, aprendizagem em Matemática, Ciências e Língua Portuguesa, redução da evasão, ensino integral onde houver evidências de efetividade e políticas de valorização e formação de professores.

Indicadores como SAEB, IDEB e PISA devem ser utilizados não apenas para produzir rankings, mas para identificar problemas e orientar políticas públicas.

3. Construir o Plano Estadual de Educação 2027–2036 com metas mensuráveis

O novo PEE deve estabelecer metas, responsáveis, indicadores, prazos e mecanismos periódicos de avaliação.

Planos educacionais não podem se limitar a declarações de intenção.

4. Valorizar e integrar USP, UNESP e UNICAMP ao desenvolvimento paulista

As universidades estaduais constituem patrimônio estratégico de São Paulo.

Além de ensino e pesquisa de excelência, devem participar crescentemente da solução de problemas do Estado — saúde, educação, mudanças climáticas, energia, mobilidade, agricultura, indústria, inteligência artificial e administração pública.

Preservar sua autonomia acadêmica e financeira deve caminhar junto com transparência, avaliação e impacto social.

5. Preservar e fortalecer a FAPESP

A FAPESP é uma das instituições mais importantes do sistema brasileiro de ciência e tecnologia.

Seu financiamento constitucional deve ser preservado, acompanhado de avaliação permanente do impacto das bolsas, auxílios, programas estratégicos, internacionalização e cooperação universidade–empresa.

6. Criar uma Estratégia Paulista de Inteligência Artificial

São Paulo deveria formular uma estratégia estadual de IA envolvendo universidades, FAPESP, IPT, Centro Paula Souza, hospitais, empresas, startups e administração pública.

A estratégia deve abranger pesquisa, formação de profissionais, infraestrutura computacional, uso responsável de dados, IA aplicada aos serviços públicos e apoio às empresas na adoção tecnológica.

7. Ampliar a integração entre Etecs, Fatecs, universidades e empresas

O Centro Paula Souza representa uma das maiores vantagens competitivas do Estado.

Etecs e Fatecs devem participar ainda mais intensamente das estratégias regionais de desenvolvimento, formando profissionais de acordo com as novas demandas tecnológicas e produtivas.

8. Criar indicadores estaduais de inovação e transferência de conhecimento

São Paulo precisa acompanhar de forma sistemática indicadores como patentes, licenciamento tecnológico, startups acadêmicas, interação universidade–empresa, investimentos empresariais em P&D, formação de pesquisadores e inserção profissional de mestres e doutores.

Publicar anualmente um Painel Paulista de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação aumentaria a transparência e permitiria avaliar resultados.

9. Estimular pesquisa, inovação e produtividade empresarial

Políticas estaduais devem aproximar universidades, IPT, FAPESP, parques tecnológicos, startups e empresas, especialmente pequenas e médias.

A inovação precisa deixar de ser vista exclusivamente como política científica e passar a ser compreendida também como política econômica, industrial e de geração de empregos qualificados.

10. Transformar conhecimento em política de Estado

Educação, ciência e inovação produzem resultados no médio e longo prazo.

Por isso, suas políticas precisam sobreviver às mudanças eleitorais.

O objetivo deve ser construir compromissos capazes de atravessar diferentes governos e legislaturas.

5. Uma proposta institucional: recriar e ampliar a Frente Parlamentar

O IVEPESP considera oportuno que, no início da legislatura 2027–2030, seja proposta uma nova:

Frente Parlamentar da Educação, Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

A iniciativa poderia ampliar o escopo das experiências existentes, reunindo em uma mesma estrutura os diferentes componentes do ecossistema paulista do conhecimento.

A Frente deveria buscar participação e diálogo permanente com:

USP, UNESP e UNICAMP; FAPESP; Centro Paula Souza; IPT; universidades federais e privadas; institutos de pesquisa; setor produtivo; entidades empresariais; organizações ligadas à educação e formação profissional; parques tecnológicos; startups e representantes da sociedade civil.

Uma vez por ano, poderia ser realizada na ALESP uma Conferência Paulista de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, com apresentação pública dos indicadores do Estado e das prioridades para o exercício seguinte.

6. Um Observatório para acompanhar resultados

O IVEPESP propõe ainda discutir a criação de um Observatório Paulista de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Não seria necessário criar uma nova estrutura burocrática.

O Observatório poderia funcionar em rede, integrando bases públicas já existentes e produzindo indicadores independentes sobre:

  • aprendizagem;
  • evasão e conclusão escolar;
  • ensino técnico e tecnológico;
  • ensino superior;
  • pós-graduação;
  • formação de mestres e doutores;
  • produção científica;
  • internacionalização;
  • financiamento da pesquisa;
  • patentes;
  • inovação empresarial;
  • transferência de tecnologia;
  • empregabilidade;
  • produtividade;
  • inteligência artificial e transformação digital.

A pergunta fundamental deveria ser simples:

Os investimentos de São Paulo em educação, ciência e tecnologia estão se convertendo em melhores condições de vida, maior produtividade, inovação e desenvolvimento econômico e social?

7. Diálogo suprapartidário

O IVEPESP reafirma que educação, ciência e inovação não pertencem à esquerda, ao centro ou à direita.

Pertencem ao futuro de São Paulo.

A diversidade política da Assembleia Legislativa deve ser vista como oportunidade para estabelecer consensos mínimos sobre temas estratégicos.

É possível divergir sobre inúmeros aspectos da política pública e, simultaneamente, concordar que São Paulo precisa:

melhorar a aprendizagem; valorizar professores; formar mais profissionais qualificados; preservar sua capacidade científica; acelerar a inovação; ampliar a produtividade; e transformar conhecimento em desenvolvimento.

8. O papel do IVEPESP

O IVEPESP coloca-se à disposição da Assembleia Legislativa, do Governo do Estado, das universidades, instituições de pesquisa, entidades empresariais e organizações da sociedade civil para colaborar tecnicamente na construção dessa agenda.

Ao longo dos próximos anos, o Instituto pretende produzir estudos, indicadores, notas técnicas e propostas que contribuam para o debate público baseado em evidências.

A relação com o Parlamento deve ser institucional, transparente e independente.

O IVEPESP não pretende substituir universidades, entidades científicas, empresas ou Poder Público.

Pretende contribuir para aproximá-los.

Conclusão

São Paulo possui um dos maiores sistemas de educação superior, pesquisa científica, formação tecnológica e inovação da América Latina.

Entretanto, possuir instituições de excelência não é suficiente.

É necessário conectá-las.

A nova ALESP terá a oportunidade de contribuir para essa integração.

A legislatura 2027–2030 pode ajudar a transformar educação, ciência, tecnologia e inovação em uma verdadeira estratégia de desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Mais do que uma agenda para quatro anos, trata-se de construir as bases para as próximas décadas.

Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
Instituto para a Valorização da Educação e da Pesquisa do Estado de São Paulo
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