O Brasil atravessa um momento decisivo. Em meio a um cenário econômico e geopolítico complexo, observa-se, com preocupação, que o debate público entre pré-candidatos à Presidência da República tem sido marcado predominantemente pela desconstrução de adversários, em detrimento da apresentação de propostas estruturantes para o país.
A reflexão proposta pelo setor produtivo — em especial pela indústria, representada por lideranças como José Ricardo Roriz (ABIPLAST) — é pertinente e urgente: é necessário elevar o nível do debate nacional, deslocando o foco do embate político para a construção de soluções concretas para o desenvolvimento do Brasil.
Nesse contexto, o Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP) entende que qualquer estratégia consistente de crescimento sustentável passa, necessariamente, por três pilares indissociáveis:
1. Educação de qualidade como base do desenvolvimento
O Brasil já investe volumes expressivos de recursos em educação, mas ainda enfrenta resultados insatisfatórios em aprendizagem, produtividade e formação de capital humano.
Sem enfrentar os desafios estruturais — especialmente na formação de professores, na qualidade da educação básica e na articulação entre ensino e mercado de trabalho — não haverá avanço consistente.
2. Ciência e tecnologia como motor da competitividade
O país dispõe de um sistema científico relevante, mas fragilizado por descontinuidades orçamentárias e baixa articulação com o setor produtivo.
É imperativo fortalecer instituições como universidades, ICTs e centros de pesquisa, garantindo previsibilidade de financiamento e direcionamento estratégico.
3. Inovação e integração com a indústria
A produtividade brasileira permanece estagnada há décadas. A indústria, por sua vez, enfrenta perda de competitividade global.
A solução passa pela integração efetiva entre educação, ciência e setor produtivo, com instrumentos como:
- ampliação e modernização da Lei do Bem;
- estímulo a projetos de P&D aplicados;
- fortalecimento de ecossistemas de inovação (universidades, empresas e governo);
- uso estratégico de inteligência artificial e ciência de dados.
Uma pergunta central ao país
Alinhado à provocação do setor industrial, o IVEPESP reforça a necessidade de que o debate eleitoral seja orientado por uma questão objetiva e mensurável:
“Quais são as propostas concretas e estruturantes dos pré-candidatos para que o Brasil alcance crescimento sustentável de 3,5% ao ano nos próximos cinco anos, com melhoria consistente dos indicadores sociais?”
Essa pergunta deve ser respondida com base em planos que integrem:
- educação básica e superior de qualidade;
- formação técnica e profissional alinhada às demandas reais;
- políticas robustas de ciência, tecnologia e inovação;
- aumento da produtividade e competitividade industrial.
Conclusão
Elevar o nível do debate público não é apenas desejável — é condição necessária para o futuro do país.
Sem uma agenda estruturada que articule educação, ciência, inovação e indústria, o Brasil continuará preso a ciclos de baixo crescimento e oportunidades desperdiçadas.
O IVEPESP defende que o momento exige liderança institucional, compromisso com evidências e foco em resultados concretos, superando narrativas superficiais e priorizando políticas de impacto real.
José Ricardo Roriz
Presidente da ABIPLAST
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Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
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