O Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP), no exercício de sua função de análise e proposição de políticas públicas educacionais, apresenta a presente manifestação técnica à luz dos resultados do PISA) e das diretrizes estruturantes do Plano de Gestão do Centro Paula Souza).

Os dados são objetivos: as Etecs) e Fatecs) operam em padrão educacional comparável à OCDE, superando, em diversos indicadores, países líderes globais. Trata-se de evidência empírica consistente, sustentada por modelo institucional estruturado e por planejamento estratégico formalizado.


1. Ensino Profissionalizante como Infraestrutura de Desenvolvimento

A rede do Centro Paula Souza constitui a maior estrutura pública estadual de ensino técnico da América Latina, com centenas de unidades distribuídas territorialmente e impacto direto sobre:

  • empregabilidade qualificada;
  • produtividade regional;
  • inovação tecnológica;
  • competitividade econômica;
  • inclusão social com mobilidade real.

A evidência disponível demonstra que o ensino profissionalizante de qualidade não é política complementar, mas infraestrutura crítica de desenvolvimento.


2. Evidência Empírica: Resultados Internacionais

Os resultados aferidos em avaliações comparáveis internacionalmente indicam:

  • desempenho superior à média brasileira em todos os eixos avaliados;
  • equivalência ou superação da média da OCDE;
  • presença de unidades entre as melhores posições globais;
  • desempenho superior a sistemas educacionais de países como Japão, Coreia do Sul e Singapura em recortes específicos.

Esses resultados são incompatíveis com a manutenção de uma política educacional nacional que marginalize o ensino técnico.


3. Governança, Planejamento e Gestão por Dados

O Plano de Gestão do Centro Paula Souza evidencia um conjunto de diretrizes alinhadas às melhores práticas de gestão pública:

  • implementação de sistemas integrados de monitoramento (evasão, desempenho, empregabilidade);
  • adoção de metodologias de melhoria contínua (ciclo PDCA);
  • definição de metas mensuráveis e auditáveis;
  • integração de tecnologias digitais e inteligência artificial;
  • alinhamento entre planejamento institucional e execução operacional.

Esse arranjo configura transição de modelo burocrático para gestão educacional orientada por evidências e indicadores.


4. Direcionadores Estratégicos

Entre os principais eixos estruturantes observados, destacam-se:

  • atualização contínua de currículos alinhados à economia real;
  • integração com setores produtivos e tecnológicos;
  • incorporação de tecnologias emergentes (IA, IoT, Indústria 4.0);
  • estímulo à inovação, empreendedorismo e startups;
  • modernização da infraestrutura física e digital;
  • compromisso com sustentabilidade operacional.

Esses elementos caracterizam um modelo educacional conectado ao desenvolvimento econômico contemporâneo.


5. Implicações para a Política Pública Nacional

A existência de modelo nacional comprovadamente eficaz impõe implicações diretas:

  1. O problema educacional brasileiro não é de desconhecimento de soluções, mas de escala e priorização.
  2. A ausência de expansão estruturada do ensino profissionalizante configura falha de política pública.
  3. A dissociação entre educação básica e mundo do trabalho compromete a produtividade nacional.

6. Recomendações Institucionais

O IVEPESP propõe, com base nas evidências analisadas:

I. Reconhecimento formal do ensino profissionalizante como eixo estruturante do Sistema Nacional de Educação

Com metas vinculadas a indicadores de desempenho e impacto econômico.

II. Implementação nacional de sistemas de gestão educacional parametrizados

Com monitoramento contínuo, transparência e responsabilização institucional.

III. Vinculação de financiamento público a resultados mensuráveis

Incluindo empregabilidade, desempenho acadêmico e inserção produtiva.

IV. Integração entre educação técnica, inovação e política industrial

Com participação ativa do setor produtivo na formulação curricular.

V. Expansão qualificada da rede de ensino técnico

Baseada em padrões mínimos nacionais de excelência, inspirados em modelos comprovados.


Conclusão

O Brasil dispõe de evidência concreta de que é possível oferecer educação pública de nível internacional em escala relevante.

O caso das Etecs e Fatecs demonstra que:

  • qualidade e escala são compatíveis;
  • gestão baseada em dados produz resultados superiores;
  • integração com o setor produtivo é determinante;
  • o ensino técnico é vetor direto de desenvolvimento.

A não priorização do ensino profissionalizante no âmbito nacional não se sustenta sob análise técnica. Trata-se de decisão que compromete a produtividade, a inovação e a competitividade do país.

O IVEPESP reafirma que a expansão estruturada do ensino técnico deve ser tratada como política de Estado, com governança robusta, financiamento adequado e metas claramente definidas.


Prof. Dr. Hélio Dias
Presidente do IVEPESP
https://ivepesp.org.br/membro/helio-dias/
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